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Arquivo de janeiro, 2009

Lançamento da ALACP no 9º FSM

30, janeiro, 2009

Por Lucídio Bicalho e Márcia Acioli*

A Articulação Latino-Americana Cultura e Política (ALACP) (www.culturaypolitica.com) fez seu o lançamento oficial no último dia 30 no âmbito do FSM, Belém (PA).

As atividades começaram com as intervenções de Iara Pietricovsky, Guilherme Reis, Eduardo Balan e Sebastian Molina. A mesa da manhã continuou com Márcia Acioli (INESC), Marisa Veloso (Professora da UnB), Alexandra Strickner (IATP) e Fabiano Santos (Ministério da Cultura/BR).

Essa segunda mesa abordou aspectos teóricos e exemplos
concretos da relação entre cultura e política. Foi ressaltada a essência cultural da atividade política e a existência da dimensão política nas manifestações culturais. A cultura foi abordada a partir do paradigma dos direitos humanos.

A defesa da educação de qualidade também foi lembrada no depoimento de quatro adolescentes de Brasília.  As jovens protagonistas Raissa Sampaio e Aline Maia representaram alunos de escolas públicas do DF, que fizeram um curso sobre orçamento público e direitos. O depoimento das alunas de Brasília ressaltou o aprendizado propiciado pela de formação como uma ferramenta de intervenção na realidade. O público também teve oportunidade de falar, trazendo contribuições ricas de suas próprias experiências.

A manhã terminou com a intervenção do grupo de teatro peruano La Grande Marcha de Los Munecones, que promoveu uma interação artística com o público nos arredores do Ginásio da Universidade Rural da Amazônia (UFRA). Os grandes bonecos convidaram o público a participar das atividades da ALCP durante à tarde.

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* Membros da delegação do Inesc ao FSM 2009

cultura e política, Fórum Social Mundial

Carta para uma militante

29, janeiro, 2009

Não pude ir à Belém. Você que está aí aproveite esta festa cidadã. Queria te pedir algumas coisas e recomendar outras.

Queria que você olhasse esse Fórum Social Mundial com muita atenção, pois ele não se dá em um momento qualquer. O planeta está passando por um momento de virada. Não me pergunte a direção. Só sei que devemos estar atentos. Um olho no trabalho e outro na alma.

Na minha leitura o tempo atual é de um reviver mítico do “em algum lugar além do arco-íris” para os norte-americanos. Para nós, os sul-americanos, é o mito de Maíra, o herói, a divindade dos povos Tupi. Àquele a quem atribuem a criação do mundo, dos homens e dos bens de cultura.

Na cosmogonia tupi Maíra fez a terra e os rios, depois mandou um macaco gigantesco plantar as matas. Depois saiu pelo mundo perguntando às coisas: “quem é você?”, e a mandioca respondia: “eu sou a mandioca”.  Assim, com todas as coisas existentes e ainda por existir.

Assim, neste contexto histórico “prá aonde vamos” insere-se o FSM, que se insere na mata amazônica. A mata cerca o FSM. Não a mata física, mas a mata simbólica, a mata que cada um traz desde os princípios dos tempos plantadas em seus inconscientes. Onde mora o Curupira, o Anhangá, o Saci, o Boitatá, o Anhanguera, a Uiara, a Cobra Grande e todos os parentes que foram gente um dia.

O tempo histórico e o tempo do FSM estão sendo gestados em um tempo mágico. Em um momento simbólico tão forte como o redescobrir o Eldorado. O Fórum revive mitos escondidos na nossa alma. Toca em sentimentos esquecidos. Memórias perdidas nas gerações passadas. Isso tudo não é material, é imaterial. É um sentir, um emponderar de alma e espírito.

Por isso, você que está aí, olhe com olhos da alma. Sinta espiritualmente o que daqui, do coração do Planalto Central, não posso sentir, mas intuir.

Quando estamos no redemoinho dos acontecimentos perdemos o sentido histórico do que vivenciamos. Fixamos na árvore e perdemos o bosque. Por isso, te escrevo para te alertar. Brecht aconselhava ao ator o distanciamento do personagem para que a platéia entendesse a crítica embutida na cena. Assim como o velho mestre alemão, recomendo-lhe o mesmo. Execute o distanciamento, mas não a ponto de não se envolver, de não vivenciar.

Por fim, perdoe-me de não estar acompanhando a marcha. De não estar gritando as mais toscas palavras de ordem. De não estar sendo ridículo junto com tantos outros ridículos que, por fim, ninguém o é. Você sabe que isto faz falta para a minha alma, para continuar a viver, mas outros compromissos me prenderam por aqui.

Bem, vou parando por aqui, pois o tempo é curto e precisamos avançar.
Um grande abraço carinhoso.

Edelcio Vigna

cultura e política, Fórum Social Mundial

Os indígenas e a diversidade por Jorge E. Durão

29, janeiro, 2009

Acho que pode ser útil fazermos um breve registro dos eventos/atividades relevantes de cada dia. Hoje assisti às atividades dos povos indígenas (brasileiros e das Américas do Norte, Central Andina).

Os indígenas brasileiros se dizem reduzidos à condição de “caseiros” dos brancos e não mais guardiões da floresta. Os maias, aimáras e outros se contrapõem “filosófica e ideologicamente” ao pensamento ocidental de maneira geral (citando de Aristóteles a Karl  Marx), ao neoliberalismo e aos Estados liberal ou socialista. Defendem uma nova forma de Estado comunitário e pluri-étnico. São contra tudo que está na base material da nossa sociedade, da mineração ao petróleo, passando pela coca cola.

Este Fórum revela uma sobreposição extremamente complexa de contradições e de conflitos, inclusive com a emergência de alguns que nós nem ao menos suspeitávamos que existiam.
Por exemplo, no ato dos povos sem Estado estavam presentes não apenas os representantes dos povos oprimidos mais conhecidos (como os curdos e os palestinos), mas tambémos galegos e o povo da Cornualha (Reino Unido).

Um comentário menos otimista (ou realista): o rendimento de participar no FSM em termos de debate aprofundado de idéias é praticamente nulo. A relação custo benefício é muito baixa. Gastei duas horas para chegar no local desse palco principal na UFRA!

Depois das atividades, vencido pelo sol e pelo cansaço tomei um ônibus hiper-lotado e escapei.

Um abraço,
Jorge Eduardo
(Diretor Executivo da Fase)

indígena

E tudo começou com a cultura!

29, janeiro, 2009
Apresentação conjunta do rapper Gog, da cantora e compositora Ellen Oléria e da artista argentina do grupo Maria Marta, Malena.

Apresentação conjunta do rapper Gog, da cantora e compositora Ellen Oléria e da artista argentina do grupo Maria Marta, Malena.

Lucídio Bicalho (INESC)
Marcia Acioli (INESC)

O 9º Fórum Social Mundial teve início neste dia 27 de janeiro com a marcha de abertura pelas ruas de Belém (PA), cidade sede do encontro. A abertura foi marcada pela diversidade de rostos, o que é típico deste que é o mais importante encontro dos movimentos sociais do planeta.
Entretanto, teve destaque a participação dos povos indígenas. E não poderia ser diferente, pois os temas principais do 9º FSM são a defesa do meio-ambiente  e da floresta amazônica, o aquecimento global  e os povos indígenas.
A marcha e o palco de abertura demonstraram esse enfoque. Destacaram-se dezenas de índios caracterizados correndo pelas ruas armados com arco e flecha! Ao final, no palco, revezaram diferentes etnias, havendo a participação de índios de diferentes países da América Latina. Foi um show de cores, diversidade, música e idiomas.
O show no 2º dia foi uma prévia das atividades culturais da ALACP (Articulação Latino-Americana Cultura e Política).         nos dias 30 e 31 no ginásio da Universidade Federal Rural Amazônica- UFRA.
Destacou-se a apresentação conjunta do rapper Gog, da cantora e compositora Ellen Oléria e da artista argentina do grupo Maria Marta, Malena. Debaixo de um sol escaldante, o público se deliciou com a forte mensagem política da música destes três artistas. Foi a primeira apresentação conjunta deles que, a despeito do rápido ensaio dentro da van que nos levou, houve grande sintonia estética que fez o público vibrar.  Sorte de quem os acompanhou e ouviu “palhinhas” de diversas outras canções.
O show do dia 30 no Geospace da  UFRA promete. A intervenção dos artistas é prova contundente de que a cultura e política são essencialmente articuladas. Essa é aposta do Inesc e da ALACP que inovam na agenda do FSM com esse debate.
Participaram entusiasmados,  tanto no primeiro quanto no 2º dia, a equipe do Inesc (Ana Paula, Ricardo Santana, Iara Pietricovsky, Lucídio Bicalho, Márcia Acioli e as adolescentes Raíssa Sampaio, Aline Maia, além dos representantes do ALAPC.

cultura e política, Fórum Social Mundial, Inesc

Henfil Vive!

28, janeiro, 2009