E nós com isso?

A semana começou com o Senador Jarbas Vasconcellos (PMDB, PE), ex-governador de Pernambuco, tocando, em entrevista exclusiva na Revista Veja desta semana, na ferida aberta que a sociedade finge não perceber: o estado de indigência política que assola o Congresso Nacional e a redução da representação popular a uma procuração para negociatas ancoradas nos mandatos parlamentares.

O assunto foi tratado aqui no blog pelo Del Vigna, por ocasião da eleição de José Sarney, ilustre senador do Amapá e cacique no Maranhão, para a Presidência do Senado. E foi também objeto de um debate na TV entre o deputado Fernando Gabeira e o Senador Tasso Jereissati, disponível aqui ao lado na coluna Blog TV (15/02). Mas permanece à margem da pauta prioritária de boa parte dos movimentos sociais organizados.

O que acontece? Até quando? Não temos nada a ver com isso? Não aprendemos nada com o Movimento Pela Ética na Política, sim, aquele que levou ao impeachment do Collor e à Campanha Contra a Fome?

Atila Roque

INESC democracia, política, reforma política

  1. 19, fevereiro, 2009 em 12:13 | #1

    A entrevista do Jarbas na Veja em nada contribuiu para o debate da ética na política. As pessoas estão ignorando as declarações dele, tanto é que este é o primeiro comentário que esse post está recebendo. Só estou aqui porque o dever de comunicadora me obriga a ler o que está escrito na maior revista de circulação semanal de país em circulação.

    O Jarbas jogou o barro na parede, falou um monte de coisas que já venho ouvindo nesse Brasilzão de Deus desde que eu me conheço por gente, como por exemplo essa coisa de que nem oposição nem situação prestam. Quantas vezes eu já ouvi isso, ao longo da minha curta vida? E é um posicionamento cômodo, não? Covarde, eu diria. Demagogo. Ao final da entrevista, após dizer que nem a oposição nem a situação presta, ele declara apoio escancarado ao Serra (que é da oposição, pelo menos até onde eu sei).

    Daí porque quase todos se calam com a entrevista da Veja. Ora, é mais um político a declarar frases e opiniões que desde sempre são ventiladas nas ruas e botecos. Qual a novidade? O que esse senhor propôs para mudar tal situação? Ele não propôs absolutamente nada, nem se deu ao trabalho de fundamentar suas opiniões. E a revista Veja também nem quis saber, nem de investigar onde é mesmo que esse sujeito quer chegar com tanta frase feita. Veja permitiu um desabafo de um político? Ora, a Veja não é coleguinha do Jarbas, ela é uma revista de informação, tem que investigar, tem que trazer a tona o onde é que esses ismos prejudicam as pessoas, sobretudo as pobres e remediadas, que são maioria nesse país.

    Está na hora de os movimentos sociais, ongs, sindicatos e pessoas não ligadas ao sistema político-partidário, a chamar para si essa responsabilidade de informar e fazer a ligação entre o clientelismo e as outras esferas. Mostrar para as pessoas onde esse clientelismo está prejudicando o orçamento público, a previdência, a saúde, a educação, as questões de terra, emprego, trabalho. Só mostrando essas ligações é que as pessoas vão começar a ficar um pouco mais informadas para, enfim, fazer mudanças apesar da baixaria e da falta de ética que estão aí e que provavelmente não vão acabar da noite para o dia.

    Porque é na ignorância que essa falta de ética cresce e se multiplica. Quando as pessoas começam a perceber o que realmente está em jogo, a coisa muda de figura.

    Pronto. Desabafei. Abraços e continuem mantendo esse blog que está muito bom! Deu mais vida para a página! ;)

  2. 25, fevereiro, 2009 em 15:48 | #2

    Valeu Amanda. Mesmo sem parecer ou parecer lento demais, as coisas mudam sim no Brasil. E às vezes por caminhos (e bocas) tortos. O impeachment começa com uma entrevista do irmão do Presidente, toda discussão e o escândalo do mensalão começa com denúnicas do Roberto Jefferson (aquele mesmo que ficou ao lado do Collor até o final!) e agora o Jarbas vem nos dizer o óbvio, o que já sabemos. A pergunta é por que ninguém parece ligar para mais nada? Falta indignação na praça? Ou falta imaginação na política? Abraços e obrigado pela visita ao nosso blog. Vamos sim tentar mantê-lo vivo e atualizado.

    Atila

  1. Nenhum trackback ainda.