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Enquanto isso na Brazilândia…

Vejam o trecho do artigo “O tantinho e o tantão”  publicado no Correio Braziliense  hoje, segunda-feira, 16/02, assinado por Alon Feuerwerker, leitura aberta apenas aos assinantes. Faz ou não faz sentido?

Atila Roque (a partir de sugestão de leitura do José Moroni)

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” (…)

Por que o Bolsa Família é politicamente eficiente? Porque dá a um tantão de gente que não tem quase nada um tantinho de alegria para cada um. Há outras maneiras conhecidas de o governo proporcionar felicidade. Em certas privatizações, por exemplo, a turma que arremata ativos estatais a preço de banana fica tão agradecida ao governante que se dispõe a apoiá-lo politicamente. É do jogo.

A desvantagem eleitoral das privatizações localiza-se num aspecto muito particular. É que, amiúde, o tantão de alegria que elas proporcionam só beneficia um tantinho de gente. É diferente do Bolsa Família. O multiplicador eleitoral é mais modesto, dado o pequeno contingente de felizardos. Pois, infelizmente, muitas vezes o que sobra para o cidadão comum é a conta a pagar. O Brasil tem um dos serviços de telefonia celular mais caros do mundo. Para não falar na energia elétrica.

Voltando ao Bolsa Família, eu sempre me espanto com a virulência dos ataques ao programa, que do ângulo orçamentário é até relativamente modesto. Eu não vejo a gritaria contra o Bolsa Família reproduzir-se, por exemplo, quando o agronegócio vem a Brasília exigir o perdão das dívidas que fez no Banco do Brasil. Ou quando empresários tomam os palácios da capital a impor que o governo abra mão de impostos. No Brasil, dinheiro público dado ao rico significa modernidade. Quando é dado para o pobre, representa atraso e clientelismo.

Em relação ao Bolsa Família eu sou radical. Sigo a cartilha do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O programa deveria ser expandido a toda a população, na forma de um imposto de renda negativo. Todo mundo teria direito a uma renda mínima, capaz de evitar o mergulho na pobreza extrema. Para o meu gosto, o governo Lula é até tímido nessa área. Ele costuma ficar refém do discurso das “condicionalidades”. Como se a mãe de família pobre precisasse ser coagida para mandar os filhos à escola. Ninguém é idiota por ser pobre.

Lembro bem da gritaria que houve na Constituinte quando se implantou a aposentadoria rural universal, independentemente de contribuição. Diziam que o país não suportaria. Pois bem, hoje a aposentadoria rural, somada ao Bolsa Família, é um poderoso instrumento para movimentar a economia dos pequenos municípios. Num país em que a reforma agrária dorme na gaveta, o repasse de recursos públicos às populações mais pobres do interior ajuda também a evitar um afluxo ainda maior de gente para as regiões metropolitanas.

(…)”

bolsa família, política

  1. Cleo Manhas
    16, fevereiro, 2009 em 17:07 | #1

    O artigo do jornalista Alon Feuerwerker é instigante e não nos deixa esquecer o caráter ainda patrimonialista do nosso Estado. Sempre que se discute políticas assistenciais ouve-se a velha ladainha de que esta-se comprando votos ou contibuindo para que as pessoas de baixa renda fiquem acomodadas. O preconceito é explícito, além do receio de dilapidação do “patrimônio” da velha elite de guerra.

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