Morte aos latrocidas!
Lucídio Bicalho
O título acima é uma figura de linguagem. Essa postagem não colide de frente com o paradigma dos direitos humanos esculpido ao longo da História. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela III Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, é o maior marco teórico da humanidade. É verdade que o sangue derramado em duas guerras planetárias catalizou a sistematização destes princípios que ecoavam desde a Revolução Francesa, no século XVIII. A cultura dos direitos tem inspirado, em bases racionais, políticas sociais em diversos países, ajudando a salvar vidas ou dignificá-las.
O título é sim uma ode à morte. Mas como a extinção de uma institucionalidade infecciosa presente no sistema político brasileiro: o foro privilegiado para políticos com mandatos e servidores com status de ministro. Tal regra remete incontáveis processos para o Supremo Tribunal Federal, que obviamente não ‘consegue’ julgá-los com a celeridade exigida. E o processo permanece lá, ad infinitum. E o processado? Esse fica “deitado em berço esplêndido”. O foro privilegiado torna-se um ímã superpoderoso atraindo traficantes, corruptos, contrabandistas, PCCtistas, bicheiros, assassinos para o sistema político. Como o financiamento privado de campanhas eleitorais estabelece que basta ter dinheiro para conseguir um mandato parlamentar ou executivo, o crime de colarinho-branco nada de braçada na política brasileira. O crime motivado por dinheiro, sadismo, canalhice, psicose sempre existirá. A condição humana vê-se diante do pequeno ou grande crime todos os dias desde antes Charles Darwin (1809-82) ter-nos criado. Já a legislação que amamenta os bandolíticos, essa a sociedade brasileira tem o compromisso moral com a história de derrubá-la. E vamos fazê-lo.
Ao se defender a morte aos latrocidas, brada-se pela extirpação de políticos e servidores que roubam o dinheiro dos tributos pagos pelas famílias brasileiras, da mais simples a mais abastada. E trata-se de roubo seguido de morte – latrocínio – porque é o dinheiro desviado que não permite contratar médicos e comprar aparelhos e remédios para os hospitais públicos. É o dinheiro roubado que mata a criança de rua, empurrando-a para os caminhos do tráfico. É o dinheiro público roubado que condena o país ao atraso porque não foi investido prioritariamente na educação de qualidade.
Já não vivemos numa época que aceita que maus políticos sejam linchados pelo povo ou mandados para o paredón. A evolução pelos direitos humanos não pode retroceder. A História, manchada por representantes da podridão, por outro lado, sempre nos legou heróis. Sejamos heróis: morte aos latrocidas!

Puxa Lucídio. Você tem talento para análise política, e com muito estilo! Parabéns pela forma e conteúdo.
Urge o tempo para que tomemos uma posição. Se queremos uma país digno para os nossos filhos temos que agir! Politico ruim traduz a representação de uma parcela da sociedade. Ao contrário do dizem, não é a amostra de toda a sociedade.
A política é benigna e fundamental para a organização social e evolução do ser humano, mas está tomada por uma parcela da sociedade, em razão de muitos de nós, que nos dizemos éticos e bons, não tomarmos posição e agirmos.
Valquer,
Concordo contigo. Só a participação de forças mais progressistas, comprometidas com a coletividade, melhora a realidade - principalmente, para aqueles que não estão se beneficiando dos avanços no nosso país. Felizmente, há muitos exemplos de ações da sociedade civil com bons resultados. Se não houver disputa, permanecerá sempre um status quo ruim, vide as nossas oligarquias anti-republicanas.
Um abraço,
Lucídio
Iara,
Muito obrigado! Gostei bastante do teu artigo sobre a contradição entre capitalismo e ecologia. Parabéns pela profunda e elegante reflexão.
Um abração!