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O que está errado?

Por favor, leiam o texto abaixo!

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“Superfantasticamente, a polícia atrás da gente com a arma na mão. Sempre nessa brincadeira me chamam pra fazer o papel de ladrão. Sou feliz, com um revólver apontado pro nariz. Também quero viajar de camburão”.

Desde a semana passada quando recebi um e-mail cujo conteúdo era um texto de Luiz Lasserre (editor de Segurança do Jornal A Tarde) tratando das mortes por violência da juventude da Cidade de Salvador venho dedicando momentos de minha vida para refletir sobra a questão. Inclusive, na última sexta-feira levei esse debate para os jovens com os quais trabalho no Projeto Agentes de Comunicação para o Desenvolvimento, realizado pela Cipó Comunicação Interativa no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Até então, estava no lugar de fala daqueles que refletem, analisam e, de certa forma, procuram soluções para o problema. Entretanto, eis que me vejo imerso nele.

Na noite do último dia 31 de março, estava eu com um amigo em Fazenda Coutos conversando sobre coisas que compartilhamos na vida quando recebi uma ligação no celular. O interlocutor do outro lado era meu pai, com uma voz quase desesperadora tentando me dizer, entre outras coisas, que meu irmão fora ameaçado com uma arma de fogo apontada para sua cabeça.

No momento, minha reação foi a mesma de sempre: perguntar por detalhes do ocorrido e tentar tranqüilizar a situação. Mas, daí em diante não consegui escutar uma palavra sequer do que meu amigo falava. Entrei em estado de total anestesia por muitos minutos. De repente me perguntava sobre o que estava acontecendo: eu, altas horas da noite em Fazenda Coutos – considerado um dos bairros mais perigosos de Salvador - vendo aqueles jovens consumindo suas drogas sem me dizer qualquer coisa via o problema da violência bem próximo.

O fato tinha ocorrido em Plataforma, bairro em que nasci e que até hoje vivo. O algoz é o, infelizmente, irmão de minha mãe: policial militar aposentado. A vítima, meu irmão, por conseguinte, sobrinho do algoz. O motivo: não declarado.

Perguntava-me, então, onde reside o problema? Na cultura da violência que toma nossos lares todos os dias por volta das doze horas, patrocinada por programas de televisão? Na esculhambação que é o processo jurídico nesse país? Na estrutura corrompida que é nosso aparato policial desde sua base até o seu alto comando? No tráfico de drogas que invade todos os bairros, mas que mantém refém apenas as regiões mais pobres da cidade? Na letargia que tomou grande parte da sociedade que assiste inerte a tantas barbaridades? Nos defensores dos Direitos Humanos que se vêem coagidos diante da grande campanha contra eles que é realizada por setores da imprensa?

Por um momento, senti raiva. Lembrei-me então das inúmeras vezes em que, palestrando sobre os Direitos Humanos, escutei a célebre frase: você diz isso porque nunca aconteceu com você nem com alguém de sua família. Pois é, agora aconteceu comigo e com minha família. E eu senti raiva. Sentindo raiva, também me senti fraco. Mas, agora eu sei que não perdi essa luta e me vejo reconhecido e revigorado nela. Reencontrei minha identidade:

Eu sou Leo Vilas Verde, defensor incondicional dos Direitos Humanos, com absoluta prioridade para os Direitos Humanos de Crianças Adolescentes e Jovens e com especial atenção para os Direitos Humanos da população negra e daqueles que sofrem pelo preconceito: pessoas com deficiência, mulheres, gays e praticantes das religiões de origem africana.

Ivone Melo política

  1. 2, abril, 2009 em 19:56 | #1

    Ivone,

    Parabéns pela iniciativa e pela mensagem!!

  2. Edelcio Vigna
    3, abril, 2009 em 13:48 | #2

    Este texto do Leo, quase autobiográfico, me fez lembrar de um comentário da Cleo sobre a “teoria do estrangeiro”. Todos que estão fora do círculo/grupo/galera/bonde são ameaças potenciais. Esse círculo pode ser ampliado até para a Nação, quando o estrangeiro ameaça o país pela guerra ou pela disputa de postos de emprego. O estrangeirismo e a xenofobia se confundem. O problema do Leo é que ele, por um momento se sentiu estrangeiro ao ser atingido pela violência. A sua indgnição, a sua revolta, por instantes, paralizou-o. Foi salvo pela consciência militante. Ao ser tragado pela realidade não se abate, mas fortalece. Revigora. Lições de vida para todos e todas.

  3. 3, abril, 2009 em 15:16 | #3

    Os estrangeiros somos nós todos em qualquer sociedade que exclua e reduza os direitos de “outros” por serem diferentes ou “ameaçadores”. Vivemos tempos sombrios nas últimas décadas, um período em que valores como solidariedade e cidadania foram sendo deslocados para dar lugar a uma “tolerância” (como ensina o texto da Cléo) que não reconhece - antes nega - igualdade na diversidade. Os casos extremos são muitos e cada vez menos “extremos” e mais “normais”: extermínio de jovens negros e pobres em confrontos com a polícia ou, com maior frequência, nas disputas do tráfico e das gangs; a política de demonização dos imigrantes na Europa; Darfur; Palestina / Israel; e a “guerra ao terror” que até recentemente organizou a política externa dos EUA. Aliás, as mudanças nessa área e em outras como direitos humanos, política científica (pesquisa com células tronco), direitos da mulheres e valorização do diálogo multilateral são mudanças extremamente importantes do governo Obama que tem tido pouco destaque na mídia, em favor, como sempre, da constante desinformação da cobertura sobre a crise financeira… mas isso é um outro post!

    Abraços,

    Atila

  4. patricia
    6, abril, 2009 em 11:16 | #4

    Interessante.
    Concordo.

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