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A crise e o continente vistos de Trinidad & Tobago

Edélcio Vigna, assessor do Inesc e coordenador do GT de Agricultura da Rebrip (Rede Brasileira Pela Integração dos Povos), envia diretamente de Trinadad Tobago, onde acontece a 5a Cumbre das Américas, um relato instigante e cheio de boas perguntas a partir da Reunião da Coordenação da Aliança Social Continental, da qual a Rebrip faz parte. As respostas que seremos ou não capazes de construir fazem parte do processo de reinvenção do regionalismo e da cooperação sul-sul-norte do qual somos participantes ativos através de nossas redes e articulações das sociedades civis de nossos países.  Atila Roque (Colegiado de Gestão do Inesc)

A coordenação ampliada da Aliança Social Continental reuniu-se na Universidade Federal de Trinidad. Havia cerca de cinqüenta pessoas representando organizações de todo continente americano.

A análise girou em torno da crise e seus impactos regionais. Há um consenso que a crise é sistêmica e as alternativas também devem ser globais. Como estamos em uma Cumbre de los Pueblos o desafio é encontrar caminhos continentais. Assim, a pergunta é: “O que queremos com a Cumbre?”

Todos e todas militantes reconhecem que o atual modelo está esgotado, assim como estão velhas as nossas estratégicas. Uns afirmam que o trabalhador/a não deve pagar pela crise. Outros repõem a afirmação de que o trabalhador/a já paga pela crise.

A conversa foca qual é o papel de Obama. O companheiro mexicano contesta que é mais fácil enfrentar um poder violento, pois este gera resistência, do que um poder que seduz. Obama seduz. Outro em tom de aviso diz que não podemos criar expectativas falsas, nem desprezar o fenômeno afrodescendente. Obama produziu uma mudança no pensamento do povo norte-americano. Mas, ainda assim, a fala suave, é a que conduz a recuperação da hegemonia dos EUA pelo multilateralismo.

A discussão envolve as demandas dos sindicalistas que estão no campus realizando a Cumbre Sindical. O que demandam? Trabalho e emprego. Mas, querem garantir o emprego para construir mais automóveis para entupir as estradas e poluir o ar, pergunta uma companheira. O grupo faz uma breve incursão pela matriz energética atual.

O debate retoma o desafio das estratégias. Nada de atitudes defensivas, diz um companheiro. A crise é um momento de fortalecer laços unitários entre os movimentos sociais, pondera um segundo. Não devemos aceitar o cenário do G20. Não se pode aceitar o prolongamento da existência dos velhos mecanismos que nos conduziram a crise. Não permitir, também, as legislações regressivas e restritivas de direitos. Há um consenso em torno da falas, que me parecem óbvias.

O coordenador da Aliança Social Continental coloca na mesa tema polêmicos: novos governos e os modelos de integração, em especial a Alba. Alguns movimentos, como o indígena andino, fazem críticas pesadas aos governos da região e se dizem estar sendo afastados dos centros de decisão. Outros fazem ponderações a respeito da Alba, focando a matriz energética.

No adiantado da hora voltamos a debater quais serão os produtos da Cumbre. Há uma proposta de Declaração, diz o coordenador. Podia-se também fazermos uma Carta Aberta dirigida aos presidentes, sugere outro. A proposta é aceita e formam-se dois grupos para redigir os documentos.

Já é noite quando a reunião entra nos informes regionais. Cada representante de país fala um pouco sobre quais as políticas e atividades que estão sendo desenvolvidas na região. Há um esvaziamento da plenária. Uma pausa para o lanche (alguns salgadinhos acompanhados com um copo de refresco natural). O trabalho é retomado e segue mais algumas horas.

Debate-se agora o dia de hoje: a Plenária de Abertura e o trabalho dos grupos pela tarde. O coordenador do GT Agricultura da Aliança Social Continental não pode vir: está exilado político no Brasil. Convocam-nos para assumir a coordenação – forma-se um grupo e definimos a metodologia e a mesa de debate.

Todos e todas estão exaustos. O dia de amanhã será pleno de atividades. As conversas se estendem até a porta das Vans que nos levarão aos diferentes hotéis. Ninguém toca no assunto, mas há uma expectativa sobre o poder de mobilização das organizações trinitinas.

INESC democracia, integração, política

  1. 17, abril, 2009 em 22:43 | #1

    E aí Del, a presença de Obama mudou alguma coisa nas cabeças aliancistas? E agora que o Raul Castro diz que pode discutir presos políticos, censura, direitos humanos, será que alguns companheiros saudosos de tempos ideologicamente mais fáceis (pré-XX Congresso do PC Soviético, mas isso é outra e velha história) vão finalmente reconhecer que existe sim um problema de direitos humanos em Cuba (e, quem sabe, de democracia na Venezuela e na Nicarágua de Ortega)? Apenas mais algumas perguntas…

    Abraços,

    Atila

  2. Edélcio Vigna
    19, abril, 2009 em 15:54 | #2

    Dear Atila,
    Obama nos pareceu mais uma pequena vela no grande bolo imperialista.
    Acredito, como muitos daqui, que ele é a esperança de que os EUA possam efetivar políticas com menores violações de direitos.
    Esse é o desafio diante da política da força que sempre caracterizou o império.
    Creio que Chavez, Raul e Evo, tem desafios semelhantes, considerando suas especificidades e escala. Se os EUA possuem a política da força, nosostros temos a política do populismo militar.
    Se mudar lá, pode mudar cá.
    É o velho ditado, “pau que bate em Chico, pode dar em Francisco”.

  3. 19, abril, 2009 em 20:15 | #3

    Como assim? Não entendi…

    As violações de direitos, democracia de baixa intensidade, ditaduras e outras coisas dependem do irmão do norte deixar de ser “imperialista”(cabe tudo aqui, desde o início dos tempos…)?

    Nesse caminho o Raul Castro ainda vai ter que assinar um ofício autorizando a crítica e autocrítica das esquerdas ao regime para que alguns reconheçam que o imperialismo não explica todos os nossos males e que não temos que esperar mudar lá (aliás, “lá” não é exatamente uma ditadura) para mudar cá…

    Felizmente o Brasil e outros países da região não esperaram a superação do imperialismo, do capitalismo e da hegemonia norte americana para sair da ditatura militar, promulgar a constituição de 88 e, com todas as suas muitas imperfeições, instaurar o estado de direito no país!

  4. 21, maio, 2009 em 20:29 | #4

    odeio geografia adeus pessoas que gosta

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