Pouca mobilização na abertura da Cumbre

Edélcio Vigna, Assessor do Inesc
A 5ª Cumbre de los Pueblos foi oficialmente aberta ontem (16/04), na universidade de Trinidad & Tobago. Não houve uma grande participação, mas havia uma diversidade de representações da sociedade civil.
O coordenador do evento foi chamando ao microfone as lideranças das organizações que promoveram a Cumbre. As falas eram de boas vindas, mas também de um chamamento a mobilização em um tempo de crise e incerteza.
As palavras caíam bem para os movimentos de um país que importa toda sua alimentação dos Estados Unidos. Pode-se falar que Trinidad é um país que come muito mal. A base alimentar é arroz, algumas verduras e frango. Em geral a culinária é um risoto (ou vários tipos de risotos) acompanhado de pedaços de frangos, que explodem de hormônios. Essa dieta já está impactando população que ganha peso apesar da pobreza nutricional.
Depois das falas dos promotores da Cumbre foi organizada uma Mesa de Debates sobre a crise. Compuseram a Mesa, um professor da Universidade, um militante do Haiti e outro dos Estados Unidos, coordenada por uma brasileira, Graciela Rodriguez, da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip).
O professor Norman declarou que a crise é uma realidade vivente que está devastando vidas. Testemunhou que famílias caribenhas que dependiam de remessas de dólares dos EUA estão em desespero. Que o número de pessoas desempregadas é crescente.
Afirmou que o plano de resgate financeiro que os governos estão realizando vai ser pago pelo contribuinte. Isso significa mais dívidas e desespero. Que os pacotes de recursos para superar a crise vêm de cortes de recursos nos programas sociais.
Segundo o professor a natureza anárquica do sistema capitalismo estimula a avareza, a riqueza material e glorifica o consumismo. Esse sistema, se precisar, vai utilizar o poder militar para se recompor.
Assim, terminou sua apresentação, a ONU é o único foro legitimo para resolução da crise. É o G192 (referencia ao número de países que compõem a ONU), não é o G8 ou G20 que poderá solucionar a crise.
Henry Hold, da organização norte-americana Firts Food, declarou que nunca se produziu tanto alimentos como agora. Mas, o número de subnutridos é crescente. Que a indústria agroalimentar está ganhando como nunca no mundo.
As autoridades e os meios de comunicação culpam as causas climáticas pela crise; que indianos estão comendo demasiada carne; que os bois estão comendo muito grãos. Mas, não observam como estão utilizando a fertilidade da terra.
Para Henry, as sociedades têm que ter um instrumento global de controle de alimentos. A produção, distribuição e controle de preços estão concentrados em monopólios que são ligados as empresas multinacionais agroalimentares.
Camile, um estudioso haitiano, polemizou afirmando que há uma disputa ideológica sobre o conceito de crise. Os meios de comunicação se referem a “crise” como se fossemos todos e todas capitalistas. Perguntou à plenária quando é que as populações pobres não estão em crise. Assim, podemos diferenciar o que é crise para os capitalistas e o que é para os pobres.
Declarou que as propostas do G20 não vão nem mitigar a crise, porque atacam apenas o conjuntural e não o estrutural. Terminou com duas frases de Gramsci: “Crise é um momento donde vemos as piores monstruosidades manifestar-se” e “Crise é quando o que é anacrônico na sociedade não foi superado e o que é novo ainda não se manifestou plenamente.

