Jovens negros morrem mais
Cleomar Manhas
Assessora para Políticas dos Direitos da Criança e do Adolescente
Foi divulgada pela imprensa uma notícia bastante assustadora, mas que infelizmente já não era totalmente desconhecida, ou seja, os jovens estão entre as maiores vítimas da violência, especialmente, homicídios provocados por arma de fogo. A manchete é a seguinte: 33 mil jovens deverão ser assassinados no Brasil entre 2006 e 2012, diz UNICEF.
A notícia divulgada hoje, 21 de julho, tem como base a pesquisa realizada pelo UNICEF, pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e pela ONG Observatório das favelas.
Outro aspecto da notícia, que também não é novidade, é o fato de negros, do sexo masculino serem as maiores vítimas de homicídios. O índice é assustador, pois, de acordo com o divulgado, o número de jovens que serão assassinados no Brasil antes de completarem 19 anos ultrapassa dois para cada grupo de 1000, enquanto que lugares menos violentos, de acordo com especialistas ouvidos na matéria, esse índice é próximo de zero,
O quadro é assustador e denota a falta de políticas públicas voltadas para os/as jovens, a necessidade imediata de se pensar a possibilidade de nova discussão acerca do desarmamento, visto que a maior parte dos homicídios é causada por armas de fogo, além demonstrar a maior vulnerabilidade da população negra.
O governo brasileiro, em conjunto com a sociedade civil, deve pensar em alternativas que combatam a violência e contribuam para a melhoria da qualidade de vida. No entanto, na contramão dessa necessidade premente, encontram-se em tramitação no Congresso Nacional vários projetos que pretendem rebaixar a idade penal, para que esses mesmos jovens sejam punidos como “gente grande”, como se fossem os principais produtores de violência e não as principais vítimas, como deixa claro a matéria.
Sem categoria, infância e juventude, segurança pública, violência


Muito bom o seu post, Cléo.
Essa pesquisa é importante por dar visibilidade a uma realidade bastante conhecida por todos os que trabalham com violência, segurança pública e juventude. E sabemos ainda que o quadro consegue ser mais dramático e contundente quando os dados são desagregados e descem aos “territórios particulares” das cidades, como as favelas e periferias, onde a maior parte desses jovens habitam. E não apenas - ou sequer principalmente - nas cidades ícones mediáticos da violência, mostrando o quanto dessa realidade permanece desconhecida e longe dos holofotes. A situação é desesperadora, mas não é sem solução, como muitas experiências bem sucedidas demonstram. O que falta é o governo e a sociedade reconhecerem o sentido de urgência, a indignação e a vergonha que a morte violenta de meninos e jovens deveria provocar em nós todos. Mas somos lentos demais, preconceituosos demais e indiferentes demais. Tudo um pouco demais…
Beijos,
Atila
Pois é Átila, além da novidade de trazer os dados desagregados a pesquisa mostra ainda o que já sabíamos por observação, os jovens são vítimas e não algozes como as vezes a grande mídia tenta nos fazer crer, além disso, as maiores vítimas são os jovens negros. Já está passando da hora de encararmos a nossa realidade violenta, belicista e racista, para enfrentarmos os problemas como devem ser enfrentados.