Indignação e ameaça na audiência pública sobre Belo Monte
“Perguntei para a comunidade até quando os povos indígenas vão ficar à mercê do governo. Até quando vamos ficar calados? Cadê os índios letrados, que entendem de leis e que não estão do lado dos índios? Estes não merecem ser chamados de índios porque a bandeira dos índios é de luta”. Esta foi a mensagem inicial do cacique Marcos Xucuru, coordenador da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), durante a audiência pública sobre a construção da usina de Belo Monte que acontece em Brasília (DF).
De acordo com ele, desde o primeiro contato com os os brancos, os índios só tiveram perdas. “Em nenhum momento esta civilização teve respeito pelos índios. Só tivemos perdas territoriais, culturais e de vida. Nós estamos aqui devido ao desrespeito com nossa etnia”.
O cacique reforçou que há vinte anos diz que este projeto é inviavel para a região. “Estamos cansados desta história macabra para os povos indígenas. Queremos que as autoridades parem de nos desrespeitar. Estamos cansados de ver os não índios destruírem nossas florestas e povos”. E ameaçou: “se construírem esta barragem, vai ser de inteira responsabilidade do governo o que vier a acontecer com aqueles que trabalharem lá. Não transformem o rio Xingu num rio de sangue”.
No fim, Marcos Xucuru entregou uma carta para o assessor da Presidência da República endereçada ao presidente Lula.


