“Hugo Chávez é morrível!”
Os debates no Senado Federal para a aprovação da Venezuela como membro pleno do MERCOSUL e, conseqüentemente, do Parlamento do MERCOSUL, foram risíveis. Essa situação político-vulgar começou em outubro na Comissão de Relações Exteriores do Senado e perdurou até os últimos dias de trabalho no Plenário do Senado.
Os argumentos hilários se contradiziam de forma tão elementar que os próprios debatedores dissimulavam não perceber as contradições. Era um papagaiar de lugares comuns que destoavam ideologicamente de seus interlocutores. Imaginem, de um lado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), defendendo o voto favorável à adesão e, do outro lado, o senador-relator Tasso Jereissati (PSDB-CE), discursando contra a entrada da Venezuela.
“Hugo Chávez é morrível!” – bradava o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) gesticulando como um polvo enlouquecido. O senador Aloizio Mercadante, líder do PT, buscava dar uma racionalidade ao debate diante de uma plenária babélica. “A própria oposição venezuelana pediu ao Senado que aprovasse a entrada da Venezuela no MERCOSUL”, dizia com calma peculiar, lembrando os barões paulistas.
O senador Augusto Botelho, petista de Roraima, ponderava aos seus pares (ou impares, não sei) “Nossa energia em Roraima vem toda da Venezuela e existe uma proposta de integração do nosso sistema elétrico com o sistema da Venezuela. Sou contra a ditadura de Chávez, mas o povo não pode ser prejudicado”. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP), insistia no bordão: “Trata-se de um tiro, não no pé, mas no coração do MERCOSUL”.
O senador Marconi Perillo (PSDB-GO), supra-sumo do contraditório, bateu longe todos os outros: “Por respeitar direitos humanos, voto contra a entrada desse país no MERCOSUL”. A dama de ferro do senado brasileiro, Marisa Serrano (PSDB-MS), ameaçava: “Imagine o coronel Hugo Chávez em uma mesa de negociações? Como imaginar o Chávez com poder de veto sobre as negociações?”.
O fervor dos debates recordava as disputas nos centros acadêmicos. O interesse não é vencer, mas colocar a citação mais impactante. Colocada a frase, saia-se em gloria. O protagonista do Pêndulo de Foulcault, de Umberto Eco, Casaubon diz: “nas passeatas só as garotas conseguiam perturbar a minha imaginação. Conclui que a militância política era uma experiência sexual”. Assim, creio, sentiam os senadores.
Na última sessão quando o recesso e as férias são irresistíveis o protocolo foi aprovado: 35 X 27. Quando tudo parecia em ordem e progresso, los hermanos paraguaios oposicionistas a Lugo, disseram “No. No a Chaves!” Os senadores brasileiros se sentiram achincalhados. Resistiram tanto, e agora vêm esses paraguaios e dizem “Não”! Isso é que não!
O PMDB, experiente em representações difusas, já se propôs a organizar uma comitiva para sensibilizar os paraguaios. A oposição a Lugo quer negociar bem esta aprovação. O partido de Lugo, Alianza Patriótica por el Cambio, ganhou a presidência na marca do giz: 42,3% do eleitorado. Elegeu dois entre os oitenta deputados e nenhum dos 45 senadores. O Partido Colorado (29deputados e 15 senadores) e o Partido Liberal Radical Autêntico (26 deputados e 14 senadores) detêm juntos 68,8% da representação na Câmara dos Deputados e 64,4% no Senado.
O Presidente Lugo não tem maioria no Congresso, é ruim de política, péssimo articulador e não sabe nem com quê pode barganhar o Protocolo para satisfazer a oposição, a Argentina e o Brasil.
Edélcio Vigna, assessor do Inesc


Realmente, temos um presidente que infelismente nao lê, nao estuda, nao estudou e que tem um estomago muito sensícel a sopa de letrinhas, e que a mesma causa azia, que pena… bjs.
Estou sempre em sintonia com c. e o seu trabalho… sou sua fã. bjs.