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Arquivo de agosto, 2010

Eleições analfabetas

24, agosto, 2010

analfabetoEstas eleições, assim como as passadas, serão as eleições dos poucos letrados, para não dizer dos que não tiveram acesso à educação formal ou, com menos diplomacia, dos analfabetos. Dos 135,6 milhões de eleitores aptos a votar, 72,5 milhões não completaram o ensino fundamental.

Horário Eleitoral



Tabela 1: Distribuição do eleitorado que não acessou o Ensino Fundamental

Grau de Instrução

Homens

Mulheres

TOTAL

ANALFABETO

3.745.886

4.249.353

7.995.239

LÊ E ESCREVE

10.008.254

9.692.381

19.700.635

ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO

22.827.049

22.069.385

44.896.434

TOTAL

36.581.189

36.011.119

72.592.308

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral. Elaboração: Inesc

O universo dos cidadãos e cidadãs que não acessaram, por diversos motivos, o direito a educação, é composto de 7,9 milhões de analfabetos, sendo 4,2 milhões de mulheres e 3,7 milhões de homens. Apenas lêem e escrevem 10 milhões de homens e 9,6 milhões de mulheres. Não completaram o ensino fundamental 22,8 milhões de homens e 22 milhões de mulheres. No caso do acesso a educação os homens acessam menos o direito que as mulheres, sejam por necessidade de trabalhar mais cedo ou por falta de estímulo dos programas governamentais. A diferença nominal entre homens e mulheres atinge quase 600 mil pessoas – é um número expressivo e se não houver uma política de combate a evasão escolar essa diferença tende a crescer.

Tabela 2: Distribuição do eleitorado que acessou o direito a educação

Grau de Instrução

Homens

Mulheres

TOTAL

ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO

5.052.657

5.245.171

10.297.828

ENSINO MÉDIO INCOMPLETO

12.112.421

13.594.603

25.707.024

ENSINO MÉDIO COMPLETO

7.470.369

10.383.463

17.853.832

SUPERIOR INCOMPLETO

1.710.988

2.012.774

3.723.762

SUPERIOR COMPLETO

2.205.266

2.927.823

5.133.089

TOTAL

28.551.701

34.163.834

62.715.535

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral. Elaboração: Inesc

O universo dos cidadãos e cidadãs que tiveram o privilégio de completar os ciclos educacionais formais soma 62,7 milhões de pessoas. Destes, 34,1 milhões são mulheres e 28,5 milhões homens. Completaram o ensino fundamental 5,2 milhões de mulheres e cinco milhões de homens. Não completaram o ensino médio 13,5 milhões de mulheres e 12,1 milhões de homens. Completaram o ensino médio 10,3 milhões de mulheres e 7,4 milhões de homens.
Transposta a barreira do ensino médio, dois milhões de mulheres e 1,7 milhão de homens não conseguiram vencer as barreiras do ensino superior. Por outro lado, 2,9 milhões de mulheres e 2,2 milhões de homens possuem superior completo.
A diferença entre os que acessaram plenamente o direito a educação formal e os que não puderam acessar são de 9,8 milhões de pessoas. Esse universo representa quase duas vezes a população do Rio de Janeiro e 9,3 vezes a população de Campinas. O percentual entre o total das pessoas aptas e as com baixa escolaridade é de 53,6%. Ou seja, a maioria do eleitorado tem sérias deficiências educacionais formais.
Mesmo respeitando a condição cidadã das pessoas não se pode deixar de perguntar: como o Brasil pode avançar democraticamente com uma maioria da população eleitoral semi-analfabeta? Por que esta constatação não leva os parlamentares e autoridades executivas a colocarem a educação como prioridade zero, em vez da segurança pública? Talvez, se a colocasse, a questão da segurança, do desemprego e da saúde, entre outras, não estariam tão na ordem do dia.
Edélcio Vigna, assessor do Inesc

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Ei, psiu, presta atenção! É ano de eleição

18, agosto, 2010

Qual será o papel da juventude nestas eleições? Em Brasília, por exemplo, não há expectativa de quando haverá tantos eleitores de 16 e 17 anos. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o total de votantes arturno país será de 132.629.575; destes, 1.989.444 são jovens.

Lógico que isso traz oportunistas e aqueles que pensam na juventude como massa de manobra, mas isso também acarreta as seguintes reflexões: quem deve estimular o debate? Em que ambiente ele se desenvolveria melhor? A resposta não é tão simples, mas deve ser analisada com cuidado.

O principal papel é dos(as) educadores(as). Estimular o debate do voto consciente e conversar sobre as propostas dos(as) candidatos(as) – focadas, por exemplo, na educação – é o mais importante. Além da escolha do presidente, teremos eleições para senadores, deputados federais e distritais, e para governadores.

Em Brasília, não havia ainda um panorama 100% certo das eleições no DF até o fechamento desta edição, até porque a coisa toda mudaria de figura se, de uma hora para outra, Cristovam Buarque resolvesse se candidatar. Há também a sombra do criticadíssimo – e possivelmente envolvido no escândalo de corrupção nas instituições do DF – Roriz (só para constar, a Operação Caixa de Pandora não era para investigar Arruda, mas sim o Roriz, só que acabaram pegando o que tem menos cabelo). Além disso, há o candidato que saiu da disputa interna de metralhadoras e tanques do PT, Agnelo, que travou um embate duríssimo contra Magela, que será candidato a deputado federal.

Como dizia Raul Seixas: “Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado…”. PSDB, PT, PMDB, DEM… e, completando a letra, posso até dizer que acho tudo isso um saco, mas é um “saco” necessário. Afinal, sou um jovem de 18 anos (pois é, agora para mim é obrigatório, que m#$%@!) e tenho o dever de checar o que os(as) candidatos(as) têm a propor, principalmente para a educação.

Sei que tenho de colocar saúde, segurança e outros pontos de campanha em consideração, mas o principal é rever a política de educação pública, que ficou destruída após oito anos de governo Fernando Henrique, que empurrou dinheiro público para instituições privadas. Atualmente, a educação também não é lá essas coisas (melhorou um pouquinho com o Lula, mas ainda não é a ideal), uma vez que o governo gasta rios de dinheiro com o Prouni (Programa Universidade para Todos), que dá bolsas de estudo integrais e parciais para cursos de graduação de instituições privadas e, em troca, oferece isenção de tributos, que enriquece donos de faculdades particulares em detrimento do crescimento da faculdade pública. Nós, como jovens, devemos cobrar avanços na educação! Este, sim, deve ser o principal foco nestas eleições.

Artur Ribeiro – Adolescente do Projeto ONDA – Inesc/KNH


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Os candidatos e as candidatas do Brasil

4, agosto, 2010

comicio1 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o número de  candidatos registrados para as eleições de outubro de 2010. Há no país 167 candidatos a governador, 267 para senador, 5.760 para deputado federal e 13.718 candidatos para deputado estadual.

São Paulo é o estado que possui maior número de candidatos: nove a governador (5,4% do total do país), 15 a senador (5,6%), 1.240 a deputado federal (21,5%) e 1.833 a deputado federal (13,4%).

São Paulo é seguido perto por Minas Gerais: oito candidatos a governador (4,8%), 12 a senador (4,5%), 602 a deputado federal (10,5%) e 1.059 a deputado federal (7,7%).

Juntos São Paulo e Minas Gerais somam 17 candidatos a governador (10,2%), 27 a senador (10,1%), 1.842 a deputado federal (32%) e 2.892 a deputado estadual (21,1%).

Candidatos

Brasil

SP

% (SP/BR)

MG

% (MG/BR)

SP/MG

% (SP+MG/BR

Gov

167

9

5,4%

8

4,8%

17

10,2%

Sen.

267

15

5,6%

12

4,5%

27

10,1%

DF

5.760

1.240

21,5%

602

10,5%

1.842

32,0%

DE

13.718

1.833

13,4%

1.059

7,7%

2.892

21,1%

Fonte: TSE

As mulheres são maioria da população, mas não possuem uma representatividade à altura durante a disputa de poder político. Em geral, pode-se dizer que de cada dez candidatos um é mulher. Dessa forma, a desigualdade de gênero nas instâncias de poder continua se ampliando. Essa desigualdade reflete-se nas políticas públicas de assistência à saúde e a reprodução feminina.

Abrangência

Cargo

Sexo

Qtde

%

Brasil

Governador

Masculino

149

89,2

Feminino

18

10,8

Subtotal

167

Senador

Masculino

232

86,9

Feminino

35

13,1

Subtotal

267

Deputado Federal

Masculino

4.540

78,8

Feminino

1.220

21,2

Subtotal

5.760

Deputado Estadual

Masculino

10.823

78,9

Feminino

2.895

21,1

Subtotal

13.718

Fonte: TSE

Os programas que devem efetivar os direitos das mulheres recebem poucos recursos e não são executados integralmente. Na tabela abaixo pode-se confirmar a discrepância entre o número de candidatos e candidatas para todos os cargos.

Edélcio Vigna, assessor político do Inesc

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