COP16 – Informe 4
Chegamos ao terceiro dia de negociações na COP16. No momento, os grupos ainda estão se formando e buscando aparar as arestas sobre os pontos ainda divergentes. O tom da reunião
desta manhã do G77+China é que se é um “parties driven process” o grupo deve tomar as rédeas e ser mais agressivo” e pró-ativo em suas propostas e não ficar na defensiva respondendo ou reagindo às propostas dos outros grupos de paises, em geral, os paises desenvolvidos.
Outros paises em desenvolvimento, que não são os insulares, os LDCs (paises menos desenvolvidos) e os paises africanos estão gritando pelo direito de serem considerados vulneráveis pelo impacto da mudança climática. Eles vem defendendo a ampliação deste conceito dentro do Plano de Bali, que especifica os três grupos acima citados, como sendo vulneráveis. A questão é que, como disse Paquistão, na reunião do G77, a mudança climática está impactando outros lugares ao redor do mundo.
O conjunto dos delegados, em especial dos paises em desenvolvimento, ainda sentem o mal estar causado pela linguagem pouco diplomática usada pelo Japão para expressar sua posição contra o Segundo Período de Compromisso do Protocolo de Kyoto. O representante do Japão disse que “ Japan will not inscribe its targets under the Kyoto Protocol on any condition or under any circunstances”. Isso significa que não se comprometerá com nenhuma meta de redução de emissão para depois de 2012, compromisso esse que o país se tornou signatário do Protocolo de Kyoto. Esse desconforto continua presente em muitas falas. Se a expectativa com relação a esta COP era reconstruir confiança entre as Partes, sem dúvida, ficou abalada com a fala do representante do Japão.
Existe um clima geral positivo entre os paises para uma acordo legalmente vinculante e pró Segundo Período de Compromisso para o protocolo de Kyoto. Inclusive a União Européia se mostrou bem flexível. Enfim, vamos esperar para ver como as coisas vão se desenrolar nos próximos dias.
Hoje no final do dia teremos uma conferencia de imprensa com a delegação brasileira. Vamos ver qual será o impacto das declarações de Lula de que a COP16 “não vai dar em nada” . Tudo isso para justificar a sua ausência, imagino. O fato é que o Brasil esta numa postura de baixo perfil, pelo menos até o presente momento.
Iara Pietricovsky/INESC
01/12/2010

