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Referendo: saída para o Código Florestal

referendo A Câmara de Negociação está se mostrando ineficaz diante da radicalização dos parlamentares que se identificam como ruralistas e ambientalistas. O relator do Substitutivo do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB), não consegue convencer os cientistas, representantes da agricultura familiar, povos tradicionais, movimento indígena, organizações populares e sindicais, de que o texto é benéfico ao país.

Diante deste impasse o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, anunciou que o projeto do novo Código vai a voto no plenário entre os dias 3 e 4 de maio. O governo que até agora havia feito um debate interno deverá apresentar seu projeto aos líderes partidários. Para assegurar a coesão governamental o ministro da Agricultura e Pecuária, Wagner Rossi, acompanhará a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente e o ministro Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário.

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB), relator do projeto, tem realizado reuniões com bancadas partidárias e tem convencido alguns partidos de fechar questão e votar favoravelmente ao Substitutivo. Até o momento há oito bancadas partidárias que apoiam o texto: PMDB, PCdoB, PTB, PR, PP, PSC, PSB e DEM. Contrários ao Substitutivo: PT, PSOL e PV. Dois partidos estão divididos: O PSDB e o PPS.

Há um evidente contraste entre a posição de importantes segmentos da sociedade civil e seus representantes eleitos. Esta contradição a respeito de um assunto de importância nacional, por se tratar do patrimônio florestal e da biodiversidade nacional, deveria, e esta é uma opinião pessoal, resolvida por meio de um referendo popular. Diante dos diversos efeitos climáticos e o crescente acúmulo de gases de efeito estufa, que está alterando a temperatura da terra, o Congresso Nacional deveria considerar a possibilidade de realizar um referendo. A ideia de um referendo é um instrumento constitucional de soberania popular expresso no Art. 14, II, junto com plebiscito e a iniciativa popular.

As mudanças climáticas que estão afetando o planeta dependem, em parte, da conservação produtiva das florestas. Atualmente se estima que existem 3.870 milhões de hectares florestais distribuídos pelo mundo, sendo 95% de florestas naturais e 5% plantadas. A FAO avalia que “mantidas as atuais taxas de desmatamento, a Índia e a Tailândia perderão suas florestas naturais em menos de 20 anos, a Malásia em 43 anos e a Indonésia em 56 anos. Para a exterminação total das florestas tropicais bastará pouco mais de dois séculos” (FAO – Forest Resource Assessment/FRA 2000). Até o final de 2011, um estudo com técnicas de sensoriamento remoto de florestas, com amostras de aproximadamente 13.500 locais durante um período de 15 anos, entregará dados ainda mais precisos para as taxas de desmatamento global e regional.

Na última reunião da Câmara de Negociação do Código Florestal foram listados sete temas que emperravam o consenso: Áreas de Preservação Permanente; Reserva Legal; Regularização Ambiental; Moratória de Desmatamento; Agricultura Familiar; Competências dos Órgãos Ambientais; Instrumentos Econômicos.

Foram definidos dois relatores, um ruralista (deputado Paulo Piau) e outro ambientalista (deputado Ivan Valente) para sistematizar as divergências. O coordenador deputado Eduardo Gomes (PSDB/MG) abriu o primeiro tema de discussão e o debate não avançou para um entendimento, nem para os outros pontos. A sessão foi encerrada.
Foi marcada uma sessão para o dia posterior, mas ela não aconteceu por falta de quorum. Nesta reunião deveriam ser abordados os temas listados e o encaminhamento das propostas de consenso ao Relator, Deputado Aldo Rebelo.

A Câmara de Negociação chegou ao seu limite e não conseguirá avançar mais. Não há espírito consensual entre os seus membros. Assim, um relatório com algumas propostas consensuadas (menos importantes) e os pontos (mais importantes) onde o acordo não vingou será enviado ao relator que acatará ou não as recomendações dos parlamentares.

Independente de a proposta de alteração do Código Florestal ter ou não o apoio maioria dos deputados federais e, considerando sua importância para as gerações futuras, o Congresso Nacional deveria chamar para si a responsabilidade e propor um referendo popular sobre o texto que for aprovado. É necessário abrir um amplo debate em todos os instrumentos de comunicação sobre como preservar e utilizar as áreas de florestas e os biomas nacionais, conservados ou degradados.

Edélcio Vigna, assessor do Inesc e cientista político

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  1. Clayton Santos Celestino
    24, maio, 2011 em 16:11 | #1

    Sou a favor do referendo popuLar para decisões estrategicas a carteer preservação da natureza, conservação do meio ambiente para áreas de atuação em nível global, decisões vitais para a vida no planeta.

  2. lindalberto maciel pedreira
    24, maio, 2011 em 16:25 | #2

    sou a favor do referendo popular .

  3. Edelcio Vigna
    25, junho, 2011 em 14:17 | #3

    @Clayton Santos Celestino
    Clayton, na conjuntura de descrédito do Legislativo o refefendo para políticas que afetam a vida da Nação poderia ser um instrumento de legitimação popular.
    Obrigad pelo comentário.
    Edelcio

  4. Antonio Carlos
    9, setembro, 2011 em 12:08 | #4

    Acho que o Congresso é capaz de resolver essa questão, mas a população deve pressionar para que a decisão mais sensata ocorra. Não podemos permitir que quem desmatou e degradou o meio ambiente seja perdoado de sua dívida. Isso é um incentivo a mais desmatamento.

  5. Juliane Motta
    9, setembro, 2011 em 12:31 | #5

    Temos que preservar as nossas florestas e não desmata-las, esse novo código ambiental proposta não coloca o meio ambiente em primeiro lugar. Eu sou contra o novo cógigo, não podemos deixar que esse crime seja cometido ‘legalmente’.

  6. Caio
    9, setembro, 2011 em 20:40 | #6

    Temos que conseguir trazer esse tema de volta para a agenta, a população precisa acompanhar isso com firmeza, não podemos correr o risto de termos tal código aprovado pelo Congresso, é um desrespeito com a natureza.

  7. Antonio Carlos
    31, outubro, 2011 em 14:02 | #7

    Esse código florestal é um crime contra nosso futuro. Essas mudanças propostas vão incentivar mais desmatamento e degradação da nossa natureza.
    No futuro as catástrofes de nova Friburgo e do Sul, vão ser cada vez piores e mais frequentes.

  8. Caio
    4, novembro, 2011 em 14:21 | #8

    Vamos buscar a mehoria da população, vamos evitar a aprovação do novo código florestal, vamos apoiar a natureza.

  9. Edelcio
    21, novembro, 2011 em 19:10 | #9

    Se a sociedade tivesse consciência do direito e até mesmo o dever de participar da elaboração de leis que impactam o destino e o futuro da população, o referendo seria uma prática comum no Brasil.
    Imaginem quantas leis perversas e inúteis teriam sido evitadas!
    Quantas boas propostas poderiam ter sido aproveitadas!
    Agradeço os seus comentários e confesso que são eles que alimentam nossas esperanças.
    Grande abraço, Edelcio Vigna.

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