Página Inicial > Sem categoria > Durban, outro fracasso

Durban, outro fracasso

Fander Falconí

cop17

Em Durban, África do Sul, estadistas mundiais e diplomatas decidiram não fazer nada sobre a mudança climática. China produz emissões per capita quatro vezes inferiores às dos Estados Unidos (EUA), mas não pode ignorar que as suas emissões por pessoa já estão acima da média mundial. Enquanto isso, os EUA culpam a China e se recusam a aceitar compromissos de redução. Em Durban, os países ricos prometeram dinheiro mas também dióxido de carbono. A América Latina teve posições diferentes.

A décima sétima Cúpula sobre Mudança Climática Internacional (COP-17), que terminou na semana passada (09 de dezembro de 2011), em Durban, deveria ter fechado um acordo internacional forte para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

O Protocolo de Quioto da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) foi adotado em Dezembro de 1997 e entrou em vigor em fevereiro de 2005, após a ratificação da Federação Russa. Os Estados Unidos assinaram o acordo, mas não foi ratificado durante a sucessivas administrações de Clinton, Bush e Obama. O Protocolo de Quioto tem tentado, sem sucesso, criar um acordo internacional para reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos países poluentes, pelo menos 5%, entre 2008 e 2012, em comparação a 1990.

O acordo da COP-17 consiste em negociar para ter, em 2015, um “protocolo, um instrumento jurídico ou resultado legalmente vinculativo” para limitar as emissões de todos os países “a partir de 2020”. Isto é, a bola – ou melhor, o planeta – é chutada para o abismo.

Os números apontam que, ao longo do tempo, ocorreu um crescimento das emissões de carbono. Globalmente, as taxas de crescimento anual foram 3,3% na década de setenta; 2% na década de oitenta; 1,2% na década de noventa; e 2,5% em 2000. Nos anos de 1980 até 1982, em 1992 e durante a crise econômica no período de 2008-2009, as taxas de emissões tiveram uma redução. Outro dado que podemos levar em consideração é em relação à concentração de partes por milhão (ppm) de CO2, o mais importante indicador para medir as mudanças climáticas na atmosfera, que também aumentou. Em todo o mundo, entre 1970 e 2010, a concentração média aumentou de 325,7 para 389,8 ppm, ou seja, aumentou com uma proporção de 2,1 vezes ou 0,6% ao ano, de acordo com as medições do Observatório Mauna Loa, no Havaí.

Acontece que às vezes os estadistas e diplomatas se reúnem e falam, mas eles produzem acordos que não são usuais ou que agravam problemas. É só muita conversa! Assim acontece com a  mudança climática.

Leia o Post em Inglês em Triple Crises Blog


O Inesc estabeleceu uma parceria com o Triple Crises Blog – espaço online que discute as perspectivas globais sobre as crises econômica, ambiental e do desenvolvimento. O Blog foi criado para provocar na população uma discussão aberta sobre tais problemas mundiais e reúne uma rede de especialistas que tratam de assuntos relacionados às três crises. A intenção é desenvolver debates e análises sobre o atual cenário global e apresentar soluções possíveis de serem realizadas coletivamente. Além da população, o Triple Blog pretende impactar também a esfera política.

comunicacaoinesc Sem categoria

  1. Nenhum comentário ainda.
  1. Nenhum trackback ainda.