Secretário-geral da ONU pede a líderes mundiais que evitem fracasso em Copenhague
Brasília - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez hoje (14) um apelo aos governantes mundiais para que tenham compromisso com a luta contra o aquecimento global, diante da possibilidade de fracasso da 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague (Dinamarca). As informações são da agência portuguesa Lusa.
“O tempo está passando. Agora não é hora de gesticular ou de fazer críticas, cada país deve cumprir a sua parte para se alcançar um acordo em Copenhague”, declarou durante entrevista à imprensa em Nova York.
“Apelo aos dirigentes mundiais para assumirem as suas responsabilidades, para fazer o que for preciso, para redobrarem os esforços”, acrescentou Ban Ki-moon, que deverá partir ainda hoje para Copenhague.
“Se deixarmos as resoluções para a última hora, corremos o risco de ter um acordo fraco ou não ter acordo, o que seria um fracasso com consequências potencialmente catastróficas”, advertiu.
O secretário-geral da ONU reconheceu que as negociações são “difíceis e complexas”, mas disse estar “confiante” e apontou que nas últimas semanas houve um “impulso político sem precedentes”.
Ban enumerou os progressos em questões importantes como a cooperação tecnológica e o financiamento, mas defendeu a necessidade de “maior clareza para se alcançar um sólido pacote de ajuda financeira a médio e a longo prazo”.
“É essencial que deixemos Copenhague com uma ideia clara quanto à forma de agir face aos desafios financeiros até 2020″, reforçou.
“Estou confiante que um acordo equitativo está ao nosso alcance e que pode ser aceito por todos os países, grandes ou pequenos, ricos ou pobres”, acrescentou.
Até o final da conferência, na sexta-feira (18), são esperados em Copenhague mais de 100 chefes de Estado.
Fonte: Agência Brasil
Os líderes do mundo em desenvolvimento temem que o avanço da negociação, da forma como foi conduzida nas últimas 24 horas, deixe em segundo plano o debate sobre metas mais ousadas para a Europa, os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá. “Por enquanto, nada sobre isso [metas mais ousadas para os países ricos] foi tratado”, admitiu à Agência Brasil um dos principais negociadores do G77 (grupo de países pobres e em desenvolvimento), pedindo anonimato.
“Podem haver contribuições voluntárias de quem acha que pode contribuir para este fundo. É como um objetivo. A gente não tem objetivo obrigatório. Quem quiser contribuir, pode”, afirmou.
Anteriormente, os países africanos, apoiados pelos outros países em desenvolvimento, suspenderam a participação nesta segunda-feira em vários grupos de negociação.
Continuam os confrontos entre policiais e ativistas no sexto dia (13/12) da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15). A polícia de Copenhague anunciou ter detido 900 manifestantes no sábado (12/12), durante a grande passeata que partiu do centro da capital dinamarquesa e percorreu seis quilômetros até o centro de convenções onde acontece a reunião da conferência. Porém, no início da manhã de domingo, os polícias já haviam liberado os detidos.
Seguem as negociações para a reformulação de um novo tratado para mitigar as mudanças climáticas, em Copenhague, Dinamarca. Hoje a primeira boa notícia foi que, depois de uma longa reunião, o presidente francês Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciaram ajuda financeira aos países pobres de US$ 2,4 bilhões. Os dois governantes comunicaram também que a Europa vai se comprometer na redução de 30% das emissões de gás carbônico (CO2).