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Corretores Ambientais chegam na Amazônia Legal

1, agosto, 2011

Edélcio Vigna, Assessor do Inesc

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O capitalismo atinge sua máxima expansão e os espaços financeiros globalizados se restringem. O padrão de exploração tecno-industrial dos séculos passados chega ao limite e não mais reproduz o capital na medida necessária

para manter o sistema. O capitalismo em suas contrações sistêmicas, por meio de seus agentes, procura criar novos mercados para expansão do capital.

As crises cíclicas de 10 em 10 anos, previstas por Marx, se reduzem no espaço e se prolongam no tempo. Atualmente, as crises se sobrepõem. A crise financeira e de especulação de preços dos alimentos mobilizam multidões. Mas, a crise da mudança climática é a mais crítica, pois altera a qualidade das demais crises e pré-anuncia uma situação de catástrofe para a humanidade.

Este é o contexto em que se processam as propostas de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD) e a chegada dos “corretores ambientais” na Amazônia Legal. Até então, as terras públicas, as unidades de conservação, as áreas de proteção ambiental, as terras indígenas e de povos tradicionais não entravam no jogo mercantil. O mercado trabalhava com bens regularizados e nunca com bens imateriais. Nesta nova era de negócios o produto que é colocado no mercado são as névoas secas da mistura de gases nocivos (smog), os gases poluentes provenientes do excesso do uso automóvel, os das indústrias, as toneladas de carbono emitido pelas derrubadas das florestas, queimadas e pela agricultura em geral.

A proposta de mecanismo de REDD como compensação para as atividades poluidoras teve uma ascensão meteórica na pauta internacional. O debate ganhou corpo entre os negociadores internacionais e, em menos de uma década, o mecanismo já havia ganho um “plus” (REDD+) - acrescentando em seu portfolio o manejo florestal, recuperação de áreas degradas, reflorestamento e monocultura de árvores plantadas.

O debate sobre o REDD+ ganhou proporções em 2010 na COP-17, em Cancun/México. A proposta apresentada pelos “carbon boys” não foi apoiada pelo Brasil que argumentou “ingerência em sua soberania e não aceitava certificação que não fosse pública”. Em Cancun, os fóruns sociais internacionais se colocaram contra “uma nova dimensão do controle de terras e territórios pelo capital, configurando uma crescente ameaça aos direitos dos povos”.

O grande problema é que o REDD + não é um instrumento de efetivação de direitos humanos. Ao contrário, flexibiliza a legislação ambiental e trabalhista, não tem responsabilidade com a preservação da biodiversidade nem com o bem-estar das comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais. A lógica que rege o capital “empreendedor” é captar o maior crédito de carbono a baixo custo e negociá-los a um maior preço.

O que o REDD promove é um mercado para “corretores ambientais” que propagam a existência do “consenso da saída única” ambiental, assim como o pensamento único neoliberal, na economia. No Brasil, o mecanismo de REDD+ dialoga com a proposta de alteração do Código Florestal, com o projeto Terra Legal e o processo de regularização fundiária da Amazônia. Os estudiosos não acreditam que o REDD beneficiará os amazônidas e os povos da floresta e convencerá as multinacionais a mudar sua lógica econômica.

As contradições da política brasileira não garantem a possibilidade de se colocar um freio de arrumação nos grandes projetos nacionais que ameaçam os biomas e os povos da floresta. O Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o maior financiador do agronegócio e responsável pelas obras que mais desmatam na Amazônia, será o gestor do Fundo Amazônia que vai financiar os projetos de REDD e REDD+. A sociedade civil organizada tem como responsabilidade exigir a visibilidade dos contratos de REDD e monitorar os fundos públicos, privados ou mistos, como o BNDES.

Atualmente se fala em mercado de carbono sem o menor estranhamento. A naturalização e o efeito da “política de fato consumado” disponibilizam o debate. A Bolívia na COP-10, em Copenhague, realizou um trabalho de educação política ao manter uma postura crítica contra os mecanismos de pagamentos ambientais. Por sua vez, a Constituição do Equador de 2008, coloca a natureza como sujeito de direitos.

O avanço da devastação dos diversos biomas nacionais, as violações dos direitos das populações da floresta ocorrem sob o silêncio de uma esquerda ortodoxa ou reformista. O movimento sindical e os partidos políticos sócio-democráticos fracassaram na tentativa de construir uma unidade contra-hegemônica.

As grandes centrais sindicais sequer estão inseridas no debate de REDD, REDD+ e pagamentos de serviços ambientais. Poucas lideranças partidárias têm noção onde e como é articulado o novo espaço comercial que vai acomodar os mercados de créditos de carbono. A proposta que institui o sistema nacional de REDD+ foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente e as tímidas manifestações não foram suficientes para alertar e incluir no debate a sociedade civil sobre este novo mercado que se está de olho nos recursos naturais da Amazônia Legal.

Ivone Melo Sem categoria

Movimento Sou Agro… Eu não sou bobo!

20, julho, 2011

banana-prataNestlé,Vale e FIESP são alguns dos parceiros. Os vídeos foram lançados nesta semana com atores da TV brasileira para propagar o agronegócio.

A campanha do movimento Sou Agro, lançada dia 18 de julho, nos principais meios de comunicação mal chegou, já diverge opiniões. Os vídeos publicitários foram realizados com a participação de ícones da televisão brasileira. A intenção é divulgar que o alimento consumido pelo Brasil vem do agronegócio, mas a realidade é bem diferente.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relatam que a agricultura familiar responde por aproximadamente 70% da produção de alimentos básicos consumidos pela população brasileira.

Os vídeos da campanha também estão disponíveis no site de relacionamento youtube, onde é palco de críticas. As opiniões vão de “”Agronegócio” é o nome que deram a um bocado de grileiros e ladrões de terra que tomam financiamento do governo para plantar e nunca pagam nada”, bem como, “discurso falso e manipulador”, ao que se refere à mensagem do movimento. E sobre a agricultura familiar “Quem disse pra essa gente que o agronegócio coloca comida na mesa do brasileiro?! A comida do brasileiro vem da agricultura familiar!!!”

A campanha quer colocar na cabeça do cidadão que as grandes empresas produzem alimentos básicos como: arroz, feijão, mandioca, hortifrutigranjeiros, entre outros. Na realidade o agronegócio não produz alimentos, produz commodities (produtos negociáveis nas bolsas de valores) para o mercado internacional.

Veja aqui os comentários sobre os vídeos da campanha.

http://www.youtube.com/watch?v=dtQ1URdDKTA&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=C0H0VtfbzQc&NR=1

Ivone Melo Sem categoria

Advogado e jornalista condenado por texto “anti-índios”

18, julho, 2011

imageExpressões usadas em artigo foram consideradas racismo pela procuradoria

O advogado e jornalista, Isaac Duarte de Barros Júnior, foi condenado a dois anos de prisão pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. O fato ocorreu por causa de um artigo veiculado em dezembro de 2008, nas páginas do jornal “O Progresso”, de Dourados (MS), referente ao ataque à política de demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai). No artigo, intitulado “Índios e o Retrocesso”, Isaac referiu-se aos índios como “bugrada” e, também, “malandros e vadios”. Em outro trecho, considerado ofensivo, o autor relata que “os índios se assenhoram das terras como verdadeiros vândalos, cobrando nelas os pedágios e matando passantes”. As expressões foram consideradas racismo pela procuradoria.

A justiça deu razão ao Ministério Público e enquadrou o advogado no artigo 20 da Lei 7.716 de 1989, que define os crimes de preconceito de raça ou cor. Chamado a explicar-se perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados, Isaac Júnior tentou explicar-se. Atribuiu as idéias expostas no artigo tido por ofensivo a um avô e a programas de TV. A condenação é inédita, mas ainda cabe recurso. Além da ação criminal, a Procuradoria move contra Isaac Júnior uma ação por danos morais. Os Procuradores acreditam que a sentença condenatória vai retirar da gaveta a segunda ação. O Ministério Público estima que o articulista pode ser condenado a indenizar os índios em mais de R$ 30 milhões.

Ivone Melo Sem categoria

Professora Amanda Gurgel recusa prêmio de empresários

8, julho, 2011

amanda-gurgel1Professora do Rio Grande do Norte que se tornou heroína pela luta por melhores salários nas redes sociais não aceita prêmio oferecido pela PNBE

O Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) realizou, no dia 04 de julho de 2011, a entrega do 19º Prêmio Brasileiros de Valor. A professora potiguar Amanda Gurgel recusou o prêmio “Educadora de Valor”. Ela foi indicada para receber o premiação por causa da manifestação realizada, no mês de maio, em audiência pública na assembléia legislativa do Rio Grande do Norte. Na ocasião, ela retratou indignação em relação à educação no Brasil. Este depoimento, postado no site you tube, foi assistido por milhares de pessoas na época.

A professora diz que a premiação é um importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida do País. Mas que aceitá-la significaria renunciar a tudo por que luta, desde 2001, ano que entrou na universidade pública. E apenas dez anos depois, pela força da internet, sua voz foi ouvida. Ela ainda enfatizou que prefere ficar com seus ideais, ao lado dos companheiros e longe dos empresários da educação.

Embora exista desde 1994, esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria.

Ivone Melo Sem categoria

Alemanha abre mão da energia nuclear e Brasil não abre mão de Belo Monte

3, junho, 2011


Alexandre Ciconello, assessor político do Inesc


rio-xinguBelo Monte virou um dogma do governo Dilma. É como os tucanos defendendo as políticas neoliberais nos anos 90. A história mostrou o equívoco da tucanada e a história também mostrará a burrice do governo Dilma. Dizer que Belo Monte é a única alternativa para aumentar a geração de energia que o Brasil vai necessitar para o seu crescimento é uma balela. A Alemanha tomou uma decisão política de desativar todas as 22 usinas nucleares do país até 2022, tendo em vista o desejo da sociedade alemã de não querer conviver com os riscos da energia atômica. Mesmo que 22% da energia produzida na Alemanha venha das usinas nucleares, o governo e a sociedade alemã buscará alternativas em outras fontes energéticas, inclusive dobrar o uso de fontes renováveis.

A atual política energética brasileira está equivocada. A construção de grandes usinas hidrelétricas na Amazônia destrói a floresta, acaba com a vida de povos indígenas e comunidades que há décadas e séculos vivem de forma harmoniosa com a floresta Amazônica. A floresta é patrimônio dos brasileiros/as. É ela quem protege a maior fonte de água doce do mundo. A enorme biodiversidade de formas de vida vegetal e animal da floresta Amazônica será um dos maiores patrimônios do Brasil no futuro. Por burrice, ignorância e ganância, tudo isso pode ser destruído.

Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), dizem que até 2013, serão investidos no Brasil R$ 25 bilhões na geração de energia eólica que gerará mais de 5.200 MW de energia, mais do que Belo Monte. Vão dizer que a energia eólica é mais cara. Sim, é mais cara e completamente limpa e com muito menos impacto.

Por que não podemos pagar a mais para continuarmos a termos disponibilidade de energia e mesmo assim preservarmos nosso patrimônio ambiental e humano? Vocês sabem quem é o maior consumidor de energia do país? É a empresa Vale do Rio Doce, que teve lucro de R$ 30 bilhões em 2010 e 11 bilhões somente nos três primeiros meses de 2011. Vocês acham que a Vale paga o mesmo imposto sobre a energia elétrica que consome, como nós pobres consumidores? Lógico que não. Se metade do lucro da Vale dos últimos 15 meses fossem aplicados na geração de energia eólica não precisaríamos de Belo Monte. Contudo, a ganância e a arrogância dominam nossas elites econômicas e políticas. Que a Vale pague pela energia que consome para escavar as entranhas de nossa terra e enviar esses minérios para manter o crescimento chinês e também a gorda conta bancária de seus acionistas e executivos.

Vivemos em um mundo ilustrado por Saramago no “Ensaio sobre a cegueira”. Que os pequenos sofram (indígenas, ribeirinhos), que os defensores de direitos humanos e da floresta sejam assassinados (Chico Mendes, Irmã Dorothy, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva)  até que não sobre mais nada, nem mais humanidade, nem vida. 

Parabéns aos cegos e surdos desse governo. Não ouvem os gritos da floresta, não vêem o sangue escorrendo dos heróis assassinados, não respeitam o sistema internacional de direitos humanos que se comprometeram a seguir. Uma vez no poder, seguem a lógica do poder, que na história da humanidade sempre massacrou a dignidade, a justiça e a liberdade.

Ivone Melo Sem categoria