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Arquivo da Categoria ‘cultura e política’

E, afinal, caem as máscaras…

20, maio, 2011

Desde alguns meses, tenho acompanhado um fenômeno curioso que está ocorrendo na sociedade brasileira, o qual apelidei carinhosamente de “queda das máscaras”. Explico.

Por algum motivo que não sei bem precisar qual é, a máscara de democracia e tolerância está sendo arrancada do rosto de parte da população brasileira, que revela sua verdadeira identidade racista, homofóbica e elitista.

imagesTodos hão de lembrar, por certo, da eleição presidencial de 2010, a primeira na qual a Internet ocupou uma posição de destaque tanta na veiculação (ínfima) de propostas de governo como na propagação (de forma maciça) de mentiras, boatos, maledicência. A primeira também em que declaradamente a Igreja Católica e as demais igrejas evangélicas deram-se o direito de “orientarem seus fieis” quanto ao voto. Elas só se esquecem de que o Estado brasileiro é laico (ops…).

Tudo bem, mas e daí? Não vivo em uma sociedade democrática? Tenho o direito à liberdade de expressão, ué? Ou não? Claro! Todos temos, inclusive as instituições religiosas. Longe de mim discordar disso.

Seguindo adiante, espero que todos se lembrem (a amnésia é perigosa, cuidado!) daquela estudante de Direito (de Direito!!!!), que em posse de sua liberdade de expressão “xingou muito no Twitter” após a eleição de Dilma Rousseff. Ao invés de xingar a presidenta, porém, a senhora futura advogada ofendeu os nordestinos, atribuindo-lhes a vitória petista. Como se não bastasse, a senhorita em questão incitou os paulistanos “da gema” a matarem (é, isso mesmo, matarem) os nordestinos.

Tadinha dela. Deve ter sido MUITO rechaçada, né? ……….. hum……. NÃO! Ela teve seu tweet retwittado (Pasquale, perdoe-me) muitas e muitas vezes! Opaaaaa! E agora? Ah, eles devem estar brincando… ufa! São jovens, sabe… não sabem o que falam. Mas que estranho isso, né? Proponho um exercício a todos vocês, leitores amigos. Pensem na idéia: “Matem um nordestino porque eles só nos f****, só aumentam a pobreza de S. Paulo, só fazem aumentar a violência”… pensaram? Agora, por favor, substituam o termo “nordestino” por “judeu”. Ixi! Pegou pesado, hein, João? Peguei, é? Um comentário infeliz como o da senhorita futura advogada é, meus amigos, nazismo na sua face mais clara. Nazismo no Brasil?!?!?! Algo cheira mal nas terras tupiniquins…

Mas deixe isso pra lá. Passou. A eleição acabou. A menina calou-se. Afinal, o bom-senso prevaleceu e as pessoas viram que o preconceito é algo mal, infeliz. Brasileiro é tolerante, é amigo…. não é? Brasileiro aprendeu a não ser racista, graças a Deus!…. é? Eis que se passam os meses e surge em cena Jair Bolsonaro. Deste nem é preciso falar muito. Racista e homofóbico da pior espécie (se é que há uma “boa espécie” de gente assim). É ignorante e (como todo ignorante) quer que a sociedade inteira seja como ele! Sua cruzada é contra o que ele chama de “ditadura gay”. Trocando em miúdos, ele quer continuar a ter o direito de ser preconceituoso. Até aí, problema dele… “cada cabeça uma sentença”. No entanto, mais do que isso, ele quer ter o direito de expressar o preconceito, de ensinar a discriminação! Ele não só acredita como deseja que todos acreditem que homossexuais são aberrações e que deveriam continuar, portanto, a viver na obscuridade, relegados a não-existência. Por que será que ele tem tanto medo assim de gays? Freud explica… (huuuummmm!).

Ah, mas um pensamento retrógrado, medieval, abominável como esse não pode ser real em pleno século XXI, né? Não no Brasil, país do carnaval, né? Ele nem deve ter coro. Aí é que nos enganamos. Ele tem e tem MUITO! Existe um apoio vindo em grande parte de alas cristãs da sociedade. Antes que me taquem pedra, já aviso que não sou contra nenhuma religião [eu mesmo tenho a minha]. Não sou contra os evangélicos ou católicos. Sei que nem todo religioso é preconceituoso. Sei de tudo isso. Só fico imaginando, todavia, porque alguém que se diga cristão, seguidor, portanto, daquEle que disse: “amai-vos uns aos outros”, “antes de ver o cisco nos olhos do outro, tire a trave que há no seu”, pode agir da maneira como agem alguns religiosos. Seriam esses “religiosos” os fariseus e falsos profetas dos nossos dias? (xi, caiu a máscara!) Mas tudo bem. Não é minha intenção fazer teologia neste pequeno desabafo-denúncia.

Ah, mas e a liberdade de expressão, João? Poder falar livremente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que não deve haver metrô no bairro paulistano de Higienópolis porque isso atrairia “gente diferenciada” (entenda-se pobres) ao bairro é ou não garantido pela liberdade de expressão? Poder, em suma, discriminar, ofender, pré-julgar em nome da liberdade de expressão é ou não democrático?

A sociedade brasileira é plural. Vejo forças (às vezes contrárias) agitando-se cada vez mais por baixo do tecido social e todas elas buscando não apenas espaço, mas, sobretudo, supremacia. Todas elas exigem “liberdade de expressão”. Acho que, na tortuosa caminhada rumo à construção de uma democracia verdadeira, estamos, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, num dilema: o que é a liberdade de expressão? Quais são os limites dela?

Viver em uma democracia, meus amigos, não é apenas poder escolher seu governante e falar o que lhe vem à cabeça. Democracia também pressupõe proteção a minorias. Uma sociedade democrática não pode ser racista, não pode ser homofóbica, não pode ser misógena, não pode ser governada por um grupo religioso específico, não pode ser governada por um ramo ideológico único. Simplesmente não pode. Gostando ou não, se escolhemos fazer um pacto democrático, então que sejamos coerentes e sejamos democratas até o fim. Você está preparado pra viver em uma sociedade democrática?

Então, meus amigos, democracia não é sinônimo de liberdade irrestrita de expressão. O limite da expressão é o limite do respeito ao outro, senão vira libertinagem de expressão, não liberdade. Numa sociedade democrática podem e devem existir e serem respeitos gays, mulheres, homens, crianças, religiões, etnias, etc etc etc. Em suma: todo mundo! É, todo mundo! Mas e quando aparecem meninas do twitter, jaires bolsonaros que não estão preparados pra viver em uma sociedade democrática? Legislação neles! Quer ser preconceituoso? Seja, é direito seu, mas encare vai se ver na justiça, benzinho.

A sociedade democrática não pode perecer por causa de gente preconceituosa e egoísta que não aceita certos grupos e não quer que ninguém mais aceite. Lei contra homofobia, lei contra racismo, lei contra machismo, lei contra discriminação religiosa são não apenas necessárias como essenciais se você quer construir uma sociedade democrática. Pronto. Simples assim. Pergunto novamente: você está preparado pra viver numa democracia?

Eu estou, por isso escrevo isso. É necessário que nos posicionemos. Neste momento em que máscaras caem, deixemos cair a nossa e vejamos de qual lado estamos.

João Henrique Lara Ganança, Estudante de Letras da USP, colaboração para o blog do Inesc

cultura e política

Poema do Menino Jesus – Alberto Caeiro/Fernando Pessoa

29, dezembro, 2009

A nostalgia dos velhos tempos

10, novembro, 2009

Com a palavra e a pena, contra a intolerância talibã, o nosso querido Claudius, no blog que mantém no portal do Sidney Rezende.

A UNI OBAN nos mostra seu profundo e ridículo preconceito, expressão da mentalidade tacanha de uma universidade (!) que, em outros tempos, teria queimado a feiticeira de minissaia. A fogueira foi armada, a Ku Klux Klan estava a postos e a imolação aconteceu – moralmente falando. O recuo do reitor, readmitindo a aluna e anulando a decisão do Conselho, que havia justificado a expulsão em anúncios pagos nos jornais do último Domingo, demonstra seu receio de que a investigação do Ministério da Educação descubra coisas ainda mais escabrosas nos porões daquele estabelecimento comercial.

cultura e política, fundamentalismo, mulheres, violência

ORILAXÉ COMPLETA 10 ANOS: Prêmio sociocultural do Grupo Cultural AfroReggae terá 16 categorias e a Poética Social como tema.

23, outubro, 2009

É com grande pesar que Inesc lamenta a morte de Evandro João Silva,

image002coordenador social do AFroRegae que foi assassinado no domingo, no Rio.

“Mas somos muitos milhões de homens comuns e podemos formar uma muralha com nossos corpos de sonho e margaridas”. O texto de Ferreira Gullar expressa bem o que será a 10ª edição do Orilaxé: a premiação para quem faz importantes transformações, exerce plenamente a cidadania e contribui para diminuir a injustiça social. O evento sociocultural do Grupo Cultural AfroReggae (GCAR) este ano terá como tema a poética social e irá contemplar 16 variadas categorias no próximo dia 21, no Teatro Carlos Gomes.

A noite será entoada pela recém formada Orquestra de Cordas do AfroReggae, que conta com 25 crianças e jovens, que vai dividir o palco com cantores do Grupo Cultural para relembrar sucessos como “Todos estão surdos” (Roberto Carlos) e “Eu só quero é ser feliz” (Cidinho e Doca).

A primeira dama do samba, D. Ivone, é a vencedora da categoria cantora. E o cantor do ano é Arlindo Cruz. Ainda no quesito música, há também o prêmio para a pernambucana Eddie, que levará para Recife o troféu de melhor grupo. Já na esfera social, os prêmios serão para o Instituto Sou da Paz (responsabilidade social), Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD – (projeto social), Iara Pietricovsky (empreendedorismo social) e Tia Dag, responsável pela Casa do Zezinho, no Capão Redondo, em São Paulo (Inovação Social).

O prêmio para cultura popular irá para o poeta Flávio Nascimento, um trovador das ruas de Lumiar (RJ). Já Iyá Torody de Ogum levará o Orilaxé por preservar a tradição afro-brasileira. E Yedo Ferreira, do Movimento Negro Unificado – MNU – receberá devido a sua luta pelos Direitos Humanos. O Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, ganha na categoria Políticas Públicas e a escritora Conceição Evaristo receberá o troféu por Produção de conhecimento.
A criatividade do capixaba “Forninho”, faz com que o jornal seja reconhecido como o veículo do ano. Há ainda a premiação para o jornalista Fernando Molica (O Dia) e para o fotógrafo Milton Guran.

Apresentado por Priscila Nocetti, da Furacão 2000, e Johayne Hildefonso, diretor artístico do Grupo Cultural AfroReggae, o prêmio terá uma homenagem especial aos poetas brasileiros. Versos de Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque de Holanda, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, entre outros, irão ecoar teatro adentro para lembrar que Orilaxé quer dizer “a cabeça tem o poder da transformação” e que há muitas formas de construir um mundo para melhor.

Patrocínio Institucional: Banco Real/Santander, Natura e Petrobras (Governo Federal/Lei de Incentivo à Cultura)
Parceria Institucional: Governo do Estado do Rio de Janeiro/Secretaria de Educação, Prefeitura do Rio/Secretaria de Cultura
Apoio: Jornal O Globo, Jornal Extra, Rede Globo

Por: Olívia Vicente – AfroReggae: 20/10/2009

cultura e política

Seminário acaba, mas a articulação continua

5, setembro, 2009
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O Seminário foi encerrado com os participantes cantando e dançando.

Chegou ao fim o Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina, realizado pela Articulação Latinoamericana Cultura e Política (ALACP), em Brasília (DF). O evento teve como objetivo debater propostas conjuntas de legislação cultural para a região.

Após dois dias de muitos debates e atrações culturais, que mobilizaram especialistas e protagonistas dos países que integram o Mercado Comum do Sul (Mercosul), foram discutidas questões como o estabelecimento de um diálogo intercultural; a integração regional; oportunidades para um desenvolvimento sustentável; cidadania e direitos culturais; e o fortalecimento intitucional e das dinâmicas da cultura.

No último período do encontro foi discutida a proposta de anteprojeto de lei que prevê a implementação de iniciativas semelhantes ao Pontos de Cultura na região do Cone Sul. Após a leitura da versão preliminar do documento, todos os presentes tiveram a oportunidade de fazer sugestões no texto. O anteprojeto de lei será apresentado ao Parlamento do Mercosul (Parlasul) em novembro deste ano pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), uma das representantes brasileiras naquela casa legislativa.

Embora esse tenha sido um passo estratégico rumo à consolidação do documento, não foi a etapa final. Até o início de novembro, quando a versão final do anteprojeto será finalizada em evento a ser realizado em Buenos Aires, capital argentina, o texto continua aberto para sugestões.

O Seminário integrou a programação da nona edição do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília e contou com a participação de representantes da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai.

cultura e política