Arquivo
A nostalgia dos velhos tempos
Com a palavra e a pena, contra a intolerância talibã, o nosso querido Claudius, no blog que mantém no portal do Sidney Rezende.
A UNI OBAN nos mostra seu profundo e ridículo preconceito, expressão da mentalidade tacanha de uma universidade (!) que, em outros tempos, teria queimado a feiticeira de minissaia. A fogueira foi armada, a Ku Klux Klan estava a postos e a imolação aconteceu - moralmente falando. O recuo do reitor, readmitindo a aluna e anulando a decisão do Conselho, que havia justificado a expulsão em anúncios pagos nos jornais do último Domingo, demonstra seu receio de que a investigação do Ministério da Educação descubra coisas ainda mais escabrosas nos porões daquele estabelecimento comercial.

ORILAXÉ COMPLETA 10 ANOS: Prêmio sociocultural do Grupo Cultural AfroReggae terá 16 categorias e a Poética Social como tema.
É com grande pesar que Inesc lamenta a morte de Evandro João Silva,
coordenador social do AFroRegae que foi assassinado no domingo, no Rio.
“Mas somos muitos milhões de homens comuns e podemos formar uma muralha com nossos corpos de sonho e margaridas”. O texto de Ferreira Gullar expressa bem o que será a 10ª edição do Orilaxé: a premiação para quem faz importantes transformações, exerce plenamente a cidadania e contribui para diminuir a injustiça social. O evento sociocultural do Grupo Cultural AfroReggae (GCAR) este ano terá como tema a poética social e irá contemplar 16 variadas categorias no próximo dia 21, no Teatro Carlos Gomes.
A noite será entoada pela recém formada Orquestra de Cordas do AfroReggae, que conta com 25 crianças e jovens, que vai dividir o palco com cantores do Grupo Cultural para relembrar sucessos como “Todos estão surdos” (Roberto Carlos) e “Eu só quero é ser feliz” (Cidinho e Doca).
A primeira dama do samba, D. Ivone, é a vencedora da categoria cantora. E o cantor do ano é Arlindo Cruz. Ainda no quesito música, há também o prêmio para a pernambucana Eddie, que levará para Recife o troféu de melhor grupo. Já na esfera social, os prêmios serão para o Instituto Sou da Paz (responsabilidade social), Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD – (projeto social), Iara Pietricovsky (empreendedorismo social) e Tia Dag, responsável pela Casa do Zezinho, no Capão Redondo, em São Paulo (Inovação Social).
O prêmio para cultura popular irá para o poeta Flávio Nascimento, um trovador das ruas de Lumiar (RJ). Já Iyá Torody de Ogum levará o Orilaxé por preservar a tradição afro-brasileira. E Yedo Ferreira, do Movimento Negro Unificado – MNU – receberá devido a sua luta pelos Direitos Humanos. O Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, ganha na categoria Políticas Públicas e a escritora Conceição Evaristo receberá o troféu por Produção de conhecimento.
A criatividade do capixaba “Forninho”, faz com que o jornal seja reconhecido como o veículo do ano. Há ainda a premiação para o jornalista Fernando Molica (O Dia) e para o fotógrafo Milton Guran.
Apresentado por Priscila Nocetti, da Furacão 2000, e Johayne Hildefonso, diretor artístico do Grupo Cultural AfroReggae, o prêmio terá uma homenagem especial aos poetas brasileiros. Versos de Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque de Holanda, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, entre outros, irão ecoar teatro adentro para lembrar que Orilaxé quer dizer “a cabeça tem o poder da transformação” e que há muitas formas de construir um mundo para melhor.
Patrocínio Institucional: Banco Real/Santander, Natura e Petrobras (Governo Federal/Lei de Incentivo à Cultura)
Parceria Institucional: Governo do Estado do Rio de Janeiro/Secretaria de Educação, Prefeitura do Rio/Secretaria de Cultura
Apoio: Jornal O Globo, Jornal Extra, Rede Globo
Por: Olívia Vicente - AfroReggae: 20/10/2009
Seminário acaba, mas a articulação continua

O Seminário foi encerrado com os participantes cantando e dançando.
Chegou ao fim o Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina, realizado pela Articulação Latinoamericana Cultura e Política (ALACP), em Brasília (DF). O evento teve como objetivo debater propostas conjuntas de legislação cultural para a região.
Após dois dias de muitos debates e atrações culturais, que mobilizaram especialistas e protagonistas dos países que integram o Mercado Comum do Sul (Mercosul), foram discutidas questões como o estabelecimento de um diálogo intercultural; a integração regional; oportunidades para um desenvolvimento sustentável; cidadania e direitos culturais; e o fortalecimento intitucional e das dinâmicas da cultura.
No último período do encontro foi discutida a proposta de anteprojeto de lei que prevê a implementação de iniciativas semelhantes ao Pontos de Cultura na região do Cone Sul. Após a leitura da versão preliminar do documento, todos os presentes tiveram a oportunidade de fazer sugestões no texto. O anteprojeto de lei será apresentado ao Parlamento do Mercosul (Parlasul) em novembro deste ano pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), uma das representantes brasileiras naquela casa legislativa.
Embora esse tenha sido um passo estratégico rumo à consolidação do documento, não foi a etapa final. Até o início de novembro, quando a versão final do anteprojeto será finalizada em evento a ser realizado em Buenos Aires, capital argentina, o texto continua aberto para sugestões.
O Seminário integrou a programação da nona edição do Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília e contou com a participação de representantes da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai.
Poesia, música e mamulengo…
Além dos debates, o segundo dia do Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina está repleto de atrações culturais.
Antes do almoço, Hamilton Faria (do Instituto Pólis) conduziu o grupo a uma experiência diferente: a “escuta poética”. Com todos de olhos fechados e iluminação reduzida, versos poéticos abaixo eram repetidos três vezes.
Pintou estrelas
No muro
E teve o céu
Ao alcance das mãos
(Helena Kolody)
O brilho da lâmpada
No interior da morada
Empalidece as estrelas
(Helena Kolody)
A morada do homem é o extraordinário
(Heráclito)
Morava na alegria
E nunca mais morreu
(Hamilton Faria)
Alguma coisa estranha
Acontece quando se toca em gente
Experimente
(Ulisses Tavares)
Para quem viaja ao encontro do sol
É sempre madrugada
(Helena Kolody)
Eu sou só isso
Mas tudo isso
Eu sol?
(Hamilton Faria)
Apresentação artística
No retorno do almoço, uma grata surpresa aguarda os presentes. O grupo Mamulengos sem fronteiras, do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, de Taguatinga (DF) fez uma apresentação regada a música, boas tiradas e muita diversão.

Parlamentar paraguaia apoiará projetos culturais para o Mercosul
A parlamentar paraguaia Mirtha Palácios abriu a primeira mesa de debates de hoje (04), cujo o tema é Pontos de Cultura para o outro lado da fronteira. Ela ressaltou que a cultura fronteiriça é muito rica e que, da mesma forma que a geografia faz com os povos se toquem, esta proximidade faz com que os povos carreguem dentro de si parte da cultura do país vizinho. “Todo país tem sua cultura. E todos têm arraigados em si um pouco da cultura do outro. Isto só fortalece os povos dos países que fazem parte do Mercosul”, declarou.
Ela salientou que nas reuniões do Parlasul a questão cultural é sempre colocada como uma forma de desenvolvimento sustentável. Para ela, os empreendimentos culturais são muito importantes para um povo e a cultura pode aumentar a integração regional. “Por tudo isso, vejo os pontos culturais de fronteira como algo extremamente importante para o Mercosul”, frisou.
“Comprometo-me a apoiar os projetos de cultura no Parlamento do Mercosul”, declarou. Mirtha também disse que o poder legislativo pode fazer muito pela cultura da região do Cone Sul. Isso porque os marcos legais são essenciais para que se possa defender e alavancar nossas raízes culturais. Ao final, Mirtha foi felicitada como representante de todos os paraguaios e recebeu uma saudação Nagô e com a música O que é, o que é?, do cantor e compositor Gonzaguinha, cantada por todo auditório.
Qual é o objetivo do Seminárío?
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), representante brasileira no Parlasul, e a diretora do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), Iara Pietricovsky, falam sobre o objetivo e a relevância do Seminário. O evento reúne, em Brasília (DF), pessoas do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia.
Teatro abre segundo dia de Seminário

O segundo dia do Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina começa com alerta e criatividade. Chamando a atenção do público para o desafio global das mundanças climáticas, o grupo teatral ”Scrachados ” incitou o debate sobre o tema.
O grupo é formado por adolescentes de diversas regiões do Distrito Federal. O objetivo da apresentação é estimular o debate sobre os problemas sociais e ambientais a partir da estimulação da consciência crítica do espectador.
Acompanhe aqui o segundo dia de debates!
Chega ao fim o primeiro dia do Seminário

Apresentação do artista Chico Simões no encerramento do 1º dia.
Em um dia bastante movimentado e produtivo, o Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina contou com a presença de artistas, representantes de organizações sociais, parlamentares, estudantes e membros de Pontos de Cultura de vários estados brasileiros. De outras nações, participaram pessoas do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.
Tanta diversidade e integração só podiam mesmo dar um resultado expressivo. Em pauta, foram contempladas questões como o papel do Parlamento do Mercosul (Parlasul); a relação entre cultura e sustentabilidade ambiental; a arte como instrumento de ressocialização ou de inserção social; apresentações de documentários; direitos humanos; entre outras. Até a aplicação de recursos do pré-sal brasileiro em projetos culturais chegou a ser mencionada.
No entanto, o foco central do encontro não foi desviado. Em diversas oportunidades - tanto nas falas dos palestrantres quanto nos questionamentos feitos durante os debates - a questão da aplicação, do funcionamento e do financiamento de iniciativas semelhantes aos Pontos de Cultura no âmbito dos países que integram o Mercado Comum do Sul foi lembrado.
Aliás, como reforçou Iara Pietricovsky, diretora do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), o objetivo do Seminário é que as proposições definidas ali sejam transformadas em projetos de lei. O destino desses documentos serão as casas legislativas nacionais e o próprio Parlamento do Mercosul, que ainda este ano receberá o anteprojeto de lei sobre a criação dos Pontos de Cultura nos países que integram o Mercosul.
Para isso, a parceria de parlamentares comprometidos com a causa é fundamental. E, pelo o que foi visto no primeiro dia do Seminário, isso não será problema. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), o deputado José Paulo Tóffano (PV-SP) e o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) não só marcaram presença no encontro como se colocaram à disposição para serem parceiros, enquanto representantes brasileiros no Parlasul. Além deles, o próprio presidente da casa legislativa, o parlamentar uruguaio Juan José Domínguez, se colocou à disposição para contribuir com o que for necessário. Afinal, como reforçou a senadora Marisa Serrano, a cultura é um direito humano e precisa ser reconhecida como tal.
E se alguém dentre os presentes ainda tinha alguma dúvida sobre o poder de transformação social da cultura, certamente essas dúvidas foram sanadas diante das falas de Wal Mayans, Inés Sanguinetti e Karin Acioly. Eles mostraram que seja no Paraguai, na Argentina ou no Brasil, a arte é uma ferramenta estratégica que pode fazer a diferença na vida da população latino-americana, especialmente na parcela tradicionalmente excluída do acesso a bens e serviços dessa natureza.
Presidente do Parlasul prestigia o evento
O parlamentar uruguaio Juan José Domínguez, presidente do Parlamento do Mercosul, esteve presente hoje (03) no Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina, em Brasília (DF). Na ocasião, Domínguez se colocou à disposição para ser parceiro da Articulação Latino-americana: Cultura e Política no âmbito do Parlasul.
Domínguez foi eleito como novo presidente no último dia 17 de agosto, em Montividéu (Uruguai). Na sua posse, ao destacar os eixos da sua gestão, o parlamentar afirmou que, em primeiro lugar, está impulsionar todas as atividades de economia social, cooperativismo e mutualismo na região.
Para saber mais sobre o parlamentar uruguaio e também sobre o Parlamento do Mercosul, clique aqui.
Arte e cultura para a infância
A diretora artística do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens, Karen Acioly, participou da segunda mesa de debates e expôs para os participantes do seminário sua experiência com as crianças da cidade do Rio de Janeiro. Ela contou que foi convidada pelo escritor e ex-deputado Artur da Távola para desenvolver projetos culturais junto às crianças. O projeto incluía também a sensibilização de platéias, ou seja, incentivar as pessoas a assitirem aos espetáculos.
“Resistimos à passagem de diversos governos e articulamos com o Brasil todo”, disse Karen. Ela ressalta a importância do fórum Cultura e Infância, criado por Gabriel Guimard, que hoje conta com mais de três mil associados ao seu projeto na internet. Ela ressalta que a articulação em rede é necessária, pois mesmo uma cidade como o Rio de Janeiro, onde todos parecem estar congregados, na verdade estão bastante isolados. A rede foi ampliada ainda mais. Hoje ela conta também com rádios que fazem o mapeamento na sua região dos jovens artistas que existem ali.
Com esta amplitude, não dava para continuar sem saber o que o vizinho estava fazendo em termos culturais. Então, foi criado o Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (já em sua 8ª edição). “Temos que abrir o espírito para tudo que há de novo e para o tradicional com o olhar de hoje”, afirmou. Então surgiu a necessidade de se trabalhar com artistas internacionais. Desta proposta conjunta surgiram os Work in Progress de Binacionalidade. Nestes, artistas de dois países faziam um novo movimento público, no qual as crianças deveriam apresentar pequenos espetáculos de 30 minutos para os espectadoreso. O projeto existe há sete anos.
Karen conta o valor deste trabalho binacional.”Você conhece sua cultura ao entrar em contato com a cultura do outro. Você passa a se reconhecer também por meio do olhar do outro e sobre sua cultura. Surge daí uma nova construção”, salientou a diretora.
Produção artística promove cidadania
Durante a mesa de debates Políticas Públicas: novas formas de relação entre Estado, sociedade e as políticas para a cultura, a artista argentina Inés Sanguinetti mostrou por meio de vídeos como se está produzindo cultura nos países vizinhos. Nos vídeos, os participantes dos projetos culturais davam depoimentos mostrando como a dança, o circo e a música fortalecem o indivíduo por meio do trabalho em equipe, da visão diferente do todo e da capacidade do artista de superar-se a cada dia mais.
Inês reproduziu em sua fala uma nova realidade que está sendo transformada pela arte em diversas associações. De acordo com ela, esta transformação é perspassada por uma cultura de solidariedade e de paz. Sanguinetti disse que a arte não preenche o espaço onde não há governo, mas ameniza a dor do dia a dia. “A arte humaniza quem está desumanizado”, declarou.
A artista também disse que os que estão incluídos devem trabalhar e dar apoio àqueles estão excluídos da sociedade. “A relação que passa a existir neste espaço de produção é o da igualdade. A produção artística desenvolve estes valores.Isto é cidadania”, afirmou.
Integração política e cultural
O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) foi o responsável por abrir a mesa de debates sobre políticas públicas e cultura. Falando sobre a atuação estratégica que o Parlamento do Mercosul pode desempenhar, o parlamentar, que é vice-presidente da representação brasileira no Parlasul, afirmou que tem aprendido muito com a experiência e, ao mesmo tempo, enxergado desafios importantes.
Ele reforçou que é necessário destacar novas idéias dentro do bloco. “Entendo que política compartilhada, dentro de um bloco, só é possível de ser feita se tiver identidade entre as culturas e autenticidade. No entanto, hoje no Mercosul, não há identidade na sociedade”, declarou.
Dr. Rosinha também afirmou, que ao ser criado, a premissa do Parlasul era criar uma cultura política. Por isso, nos quatro países do Mercosul, só se chega até o Parlasul por meio dos partidos políticos. “Hoje, a vontade é de criar partidos que discutam a questão da integração. Porque se o partido político não tem a cultura da integração, ele vai ser nacionalista. E é com essa concepção que vai chegar ao Parlasul. Além disso, é preciso ter proporcionalidade, o que não acontece”, lembrou.
Com relação ao debate específico sobre cultura, o parlamentar alertou para a ausência de um espaço de decisão. “Não há um amplo espaço de debate com a sociedade civil. Com isso, o processo fica muito dependente de quem é o governante ou de quem preside. Como vamos superar isso?”, questionou.
“Hoje, no Parlasul, um processo como o dos Pontos de Cultura pode ser apresentado pela sociedade civil. Estando lá dentro, a proposta tramitará na comissão de cultura, seguida pela comissão de educação e, posteriormente, irá para o plenário. Vale ressaltar, contudo, que o Parlamento do Mercosul não faz leis. Sendo assim, não podemos cobrar como lei, mas como política a ser executada”, concluiu.
Começa a programação da tarde!

Já está formada a Mesa 2 - Políticas Públicas: Novas formas de relação entre Estado, sociedade e as políticas públicas para a Cultura.
Na foto, da esquerda para a direita, Inés Sanguinetti, do projeto Crear vale la pena/Argentina; Carlos Hugo Molina, do CEPAD/Bolívia; Karen Acioly, diretora artística do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens/Brasil; e o parlamentar Dr. Rosinha, do Parlasul/Brasil.
A seguir, um resumo da fala de cada!
“Se terminar o amarelo, com o que vamos fazer o pão?”
A reflexão sobre o desenvolvimento da arte e da cultura para uma outra noção de política continuou com a fala de Hamilton Faria, do Instituto Pólis, na mesa Cultura na reorganização do espaço político e público. Faria abriu sua argumentação lembrando que muito do que acontece hoje na cena cultural é fruto de trabalhos realizados nos anos 1990 e início dos 2000.
“Se terminar o amarelo, com o que vamos fazer o pão?”. Com esta frase, do poeta chileno Pablo Neruda, Hamilton chamou todos os participantes para refletir sobre a importância da criação no processo criativo da arte e da recriação do próprio povo. Ele enfatizou bastante o tema da organização e da arte no plano político e instigou o pensamento de todos ao afirmar que a criatividade nos mostra que somos mais que eventos, espetáculos e entretenimento. “A arte nos chama a rever as regras estabelecidas, a política e os modos de vida”.
Hamilton também declarou que o Brasil vive um processo de culturalização. Ele acredita que este processo deve reencantar o político e o público por meio da cultura e da arte. Neste contexto, o papel do artista é importante pela sua capacidade de multiplicar sensibilidades, formas de ver o mundo, referências conceituais, comportamentos éticos, alargamento das possibilidades da vida real e enriquecimento do imaginário, melhorando assim a qualidade de vida material e espiritual do ser humano. Ao encerrar, Faria citou o artista Bené Fonteneles, que disse: “O que a arte nos exige é um exercício sensitivo intuitivo para uma nova forma de perceber o mundo, estar e pertencer ao mundo…”