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Música com tempero social e político no Fórum

Edição de 28/01/2009
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O rapper brasiliense GOG e o grupo argentino Actitud María Marta apresentam nesta sexta-feira (30), às 19h, no palco Geospace da UFRA, show dentro da programação do Fórum Social Mundial. Antes GOG faz um pocket-show hoje, pela manhã, no palco 2 da Universidade Federal do Pará (UFPA), o outro local que é sede do FSM. As apresentações têm entrada franca para quem se cadastrou previamente no evento.
Os artistas vem a Belém por meio da programação promovida pela Articulação Latino-Americana: Cultura e Política (ALACP), dentro do FSM. Tal qual a proposta do Fórum, tanto o GOG quanto o grupo Actitud María Marta são artistas de magnitude política, com o propósito de usar a música e a arte, de forma geral, como instrumento de mudança social e política, junto as suas típicas rimas do rap e letras engajadas.
Um dos grandes nomes do hip-hop brasileiro, com 25 anos de carreira, o rapper GOG é considerado por muitos o ‘poeta do rap nacional’. Vencedor do prêmio Hutuz - o mais prestigiado prêmio do hip-hop brasileiro - em 2007, ganhando quatro prêmios pelo disco ‘Aviso as Gerações’. O artista, que já lançou nove discos, já contou com diversas parcerias com artistas consagrados do cenário musical brasileiro como Lenine, Gerson King Combo, Maria Rita, entre outros.
Vindo diretamente da Argentina, o trio feminino Actitud María Marta traz rap misturado com estilos como tango e reggae. Tal qual o rapper brasileiro, as meninas do grupo também trazem letras engajadas em suas músicas e já participaram de diversos festivais políticos, como o Festival Mundial de la Juventud (Venezuela), Cumbre de los Pueblos (Argentina) e o próprio Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Informações: (91) 3230-2326.
Profissionais lançam declaração da Saúde em Belém
Edição de 28/01/2009
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Movimentos Sociais lançaram ontem a Declaração da Saúde de Belém. O documento - que dentre outras propostas lança a campanha pelo reconhecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como patrimônio da humanidade - nasce com a difícil missão de balizar a construção de uma política que cicatrize as feridas deixadas pelo neoliberalismo no mundo. A plenária que decidiu pela carta fechou a programação da 3ª Edição do Fórum Mundial de Saúde, que começou no dia 25 e terminou ontem, na Universidade do Estado do Pará.
A rejeição ao atual modelo de desenvolvimento econômico, aliás, é um dos maiores princípios da carta. ‘A crise econômica que o mundo está assistindo veio para mostrar que o modelo neoliberalista não é um modelo sustentável para todos. É excludente socialmente, economicamente e ambientalmente falando. É um sistema que não liga para a dignidade das pessoas’, afirmou um dos organizadores da 3ª Edição do Fórum Social Mundial de Saúde (FSMS), Valdevir Both.
Ele ressalta ainda que a crise econômica mundial abriu uma grande brecha para repensar o sistema de saúde no mundo. ‘Acredito que uma nova concepção será pensada. Hoje, muitos presidentes, como o próprio presidente Lula, optou pelo Fórum Social Mundial ao Fórum de Davos. Isso só reforça um processo de resistência ao que está posto’, afirmou Both, ressaltando que outro medidor da importância desta discussão é o número de participantes do FSMS. Dos 800 participantes estimados inicialmente, o evento em Belém reuniu mais de 2 mil pessoas.
Outro ponto que consta na Carta assinada ontem é o compromisso de realização da 1ª Conferência Mundial sobre Sistema Universal de Saúde e Seguridade Social. O evento, que vai envolver representantes de mais de 50 países, será realizado ao final do ano, em Brasília.
Para Both um dos principais gargalos da saúde no mundo é a dificuldade de acesso das pessoas aos serviços. E um grande exemplo disso, diz ele, é o sistema de saúde dos Estados Unidos, que deixa fora da rede de assistência mais de 50 milhões de pessoas.
‘Apesar de todos os problemas, o modelo de atendimento aplicado pelo SUS ainda é o mais próximo do ideal, porque traz em sua concepção valores como a universalidade dos direitos e a integralidade’, defendeu.
Mesa de debates no teatro da Estação das Docas
Mesa de debates abriu espaço aos visitantes no teatro da Estação das Docas
Edição de 28/01/2009
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As primeiras boas vindas da coordenação do Fórum Social Mundial foram dadas na manhã de ontem, em uma coletiva à imprensa de todo o mundo, no teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas. Aldalice Oterloo, da coordenação local do FSM, disse que receber a nona edição do Fórum em Belém foi um desafio por conta da estrutura da cidade e da necessidade de colocar as questões amazônicas, para além do problema ambiental, dentro do debate. Ela enfatizou repetidas vezes a conquista de ter 46 etnias indígenas participando e oferecendo atividades dentro do espaço.
‘Ter os nossos povos tradicionais aqui, ver de perto os seus problemas, na saúde, na educação é de uma grande satisfação para nós que desde 2007 estamos trabalhando para construção do Fórum’. Os repórteres questionaram o fato de não ter nenhum indígena na mesa de abertura, mas segundo Aldalice, a escolha foi deles.
Na mesa, também esteve Rafaela Bolini, coordenadora do Fórum Social na Europa, que afirmou que a discussão deve atingir também aqueles que não podem, por questões políticas e culturais, se engajar no evento. Falando em espanhol, ela citou o conflito na faixa de Gaza, Oriente Médio, e disse que o ‘o estado de cidade sitiada é ainda maior porque encontra o silêncio do mundo’, declarou.
A situação financeira e a crise mundial, que devem dar tom a muitos debates do Fórum, também foram lembrados durante a coletiva. Cândido Grzybowski, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), declarou que o atual estágio do capitalismo e as recentes crises já tinham sido ‘anunciadas’ desde o primeiro Fórum Social Mundial.
INESC/ALACP NO FSM 2009
Durante o Fórum Social Mundial, de 27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009, em Belém, o INESC em parceria com a Articulação Latino Americana de Cultura e Política (ALACP), desenvolverá temas relacionados aos Direitos Humanos e Cultura, Periferia, Orçamento Público, Educação, Comunicação, Diversidade, Mulher, Populações Indígenas, Juventude e as várias dimensões e entrelaçamentos entre Cultura e Política. O objetivo é buscar respostas para algumas perguntas, como: ” Em que medida se está de fato, construindo uma cultura de paz e implementando os paradigmas dos direitos humanos em sua radicalidade na América Latina?”. Todos os temas serão debatidos de forma interativa entre a linguagem da arte e do discurso.
Entre os dias 28 e 31 de janeiro, a Articulação Latinoamericana Cultura e Política (Alacp) vai trazer a Belém alguns dos mais importantes intelectuais latinos da atualidade para falar sobre os desafios dos direitos humanos no nosso continente e em que medida eles de fato alcançam as populações das periferias e os grupos historicamente menos favorecidos, como negros, mulheres, jovens e índios.
A intenção da Alacp é envolver os moradores de Belém e do mundo que estarão na cidade durante o Fórum Social Mundial. “Queremos que as pessoas se levantem e participem, se envolvam nos debates”, disse Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socieconômicos (Inesc), uma das entidades que integra o grupo executivo da Articulação.
A manifestação cultural é a forma que a Alacp escolheu para provocar a discussão, por isso durante os debates vão se apresentar em Belém os grupos La Gran Marcha de los Muñecones, do Peru, o grupo Actitud Maria Marta, da Argentina, e o Rapper GOG, de Brasília. Todos os artistas trazem um forte conteúdo político, de resistência e mobilização social em suas obras (leia mais abaixo).
Entre os convidados para os debates estão:
Heloisa Buarque de Hollanda - Professora de Teoria Crítica da Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua principal linha de pesquisa tem sido as relações entre política e cultura a partir da década de 60.
Marisa Veloso - Antropóloga da Universidade de Brasília, é pós-doutora em Antropologia Urbana.
Mais informações
Jaqueline Almeida - 8139-4399 - 3241-7007
Resumo dos artistas
GOG - GOG é considerado o “Poeta do Rap Nacional”. Com mais de 25 anos de carreira e oito discos gravados, recebeu em 2007 os prêmios Hutúz pelo cd Aviso às Gerações e Dom Quixote de La Perifa. No mesmo ano lançou o cd Cartão Postal Bomba!, em lançamento feito com exclusividade pela internet. Em 2008 volta a ser contemplado no prêmio Hutúz pelo videoclipe de Brasil com P. GOG contou em seu último disco com a participação de artistas consagrados da MPB. É o caso de Lenine, Maria Rita, Paulo Diniz e Gerson King Combo. As parcerias do Hip Hop também são de peso: Rapadura, Nego Dé, Isaías Jr, Mascoty, DJ Tiago e Lindomar 3L. O show conta com a participação de um dos destaques da música brasiliense atual, Ellen Oléria, e do DJ A.
O grupo Actitud María Marta se caracteriza por manter um compromisso social ativo, participando em eventos e festivais, dialogando com temas como o desemprego, as “madres de plaza de mayo”, a periferia e as favelas, utilizando a música como ferramenta de transformação e de solidariedade entre os povos. O grupo leva sua proposta musical a distintos cenários do planeta, já tendo participado de festivais no Brasil, Uruguai, México, Venezuela, Cuba, Espanha, EEUU e na Argentina. Já se apresentaram junto a alguns dos grandes nomes da música mundial, como Public Enemy, Vico C, Cypress Hill, MV Bill, Manu Chao, The Wailers, Ojos de Brujo, O Rappa, Fito Paez e León Greco, entre outros.
La Gran Marcha de los Munecoñes (Peru) é um grupo cultural peruano que se destaca pela qualidade artística e sua ação política e social junto às comunidades na periferia de Lima. O grupo integra a Rede Latino-Americana de Arte para a Transformação Social.
Programação INESC/ALACP NO FSM 2009 (PDF)


