A coordenadora da 4ª Câmara do Ministério Público Federal para Assuntos de Meio Ambiente, Sandra Cureau, afirmou que ainda não há como mensurar todos os impactos negativos que podem ser causados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. “A sociedade tem que conhecer os impactos socieconômicos e de transmissão, além do impacto ambiental que serão produzidos neste local. No entanto, até agora a visão é fragmentada”. Ela também ressaltou que está havendo um número grande de concessões para obras pelo Ibama. “Isto se se deu por vários fatores. Um deles é a pressão política”, avaliou.
Em seguida, a vice-procuradora geral da República, Débora Duprat, reforçou o fato de a população ribeirinha praticamente não ter sido ouvida. “O Banco Mundial só financia projetos deste tipo se for observada a sustententabilidade do grupo. No entanto, estão passando este projeto para fases seguintes sem observar os detalhes”. E completou: “me dói o coração pensar que estas cachoeiras e rios maravilhosos posssam se perder! É preciso que o governo se dê conta de que estas obras podem causar danos ambientais muitos grandes e danos maiores ainda à vida das pessoas. Por isso estamos aqui pedindo explicações”.
Para o procurador da República no Pará, Ubiratan Cazetta, a falta de participação da população no processo mostra falha na democracia. “Até existem audiências nas localidades, mas elas não são bem divulgadas. No entanto, o que fica é a aparência de que argmento foi discutido”. Para ele, deve-se questionar o movimento daqueles que defendem as hidrelétricas como se não houvessem outras formas mais limpas de geração de energia a serem consideradas.
Já o procurador da República em Altamira (PA), Rodrigo Timóteo, lamentou o ruído de comunicação que impede que a voz dos mais prejudicados seja ouvida. “Nesta falha do diálogo, estamos agindo para garantir a participação efetiva dos índios. A Funai agiu covardemente quando disse aos indígenas que a audiência não era uma oitiva e no documento final foi assim colocado. Mas a população local está aqui para lutar e para ser ouvida”.
Retomando a questão do financiamento levantada por Débora, o técnico de infra-estrutura do BNDES, André Luiz Rondon, afirmou que a instituição somente financia projetos regulares, independente de ser um banco estatal ou não. “O BNDES facilita crédito para projetos de infra-estrutura para minimizar os impactos que possam vir a acontecer. Neste sentido, observamos a lei e o impacto para os ribeirinhas”.
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