Sobre o Aquecimento Global e a Mobilização Solidária e pela Paz

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Cada dia que passa o tema ambiental, e em especial, a questão do aquecimento global, assumem proporções alarmantes. Isso se dá, não só em função do estrago que as mãos humanas estão fazendo sobre a terra, mas também pela lentíssima resposta dos governos e grandes empresas. Donos da decisão política e do capital necessários para parar o desastre que estamos testemunhando.
Após ter participado, em 2008, de um ciclo de debates promovidos pela Fundação Avina, com intuito de projetar os cenários do Brasil e do mundo para 2030, tomei conhecimento mais aprofundado do tamanho do problema. Saí com a informação de que a Antártica, na sua plataforma oeste, estava tendo um aquecimento acelerado, enquanto que a plataforma leste congelava. Essa era de fato, a evidência aceita pelos cientistas que vêm estudando o aquecimento do Planeta à época. Isso de certa maneira, equilibrava a situação de acelerado degelo da parte oeste da Antártica.
Recentemente, entretanto, li um artigo escrito por David Perlman, editor da revista Chronicle Science, de janeiro de 2009, dizendo o contrário. Perlman, cita a reportagem publicada no jornal Nature, escrita pelo estudioso do clima, Eric J. Steig da University of Washington e da Drew Shindell da NASA’s Goddard Institute for Space Studies, onde diz que pela primeira vez foram feitos estudos que combinaram o uso de satélites com mais de 100 estações de medição do tempo, com presença de pesquisadores no local e outras só com medição por meio de instrumentos, ambas no interior e em toda costa do continente, com o objetivo de determinar as tendências da temperatura dos últimos 50 anos em todo o continente Antártico.
A aferição e combinação dos dados obtidos nas estações, com os dados dos satélites e os dados obtidos no final dos anos 50, permitiram conclusões importantes sobre a aceleração do degelo, nas diferentes partes do continente Antártico.
A conclusão, depois de longo debate, é que a temperatura do continente Antártico esta, gradualmente, se elevando desde 1957. O lado oeste, já evidenciava o aquecimento e seu degelo acelerado, nas últimas cinco décadas. A novidade é que o lado leste, que acreditava-se que estava em processo de congelamento, na verdade, também vem se aquecendo, só que em ritmo mais lento.
Esta nova evidencia, reafirma que a ação humana atua fortemente na aceleração do aquecimento da temperatura do pólo Antártico. Na visão dos cientistas, o efeito estufa, causado pela emissão de gás carbônico na atmosfera terrestre (greenhouse gases) é fruto da ação das indústrias, queimadas e exploração de madeira em florestas primárias, agricultura extensiva, na maioria dos outros continentes, sobre a Antártica.
Os cientistas concluíram que nestes 50 anos houve um aumento de meio grau Celsius ou um grau Fahrenheit. Isso pode parecer pouco, mas olhando na perspectiva do aquecimento que corre acelerado, se chegarmos a um aumento de dois graus Celsius até o fim deste século poderá alterar significativamente a geografia da Terra.
E é fato também que os mais afetados são os continentes onde se encontram os países mais pobres ou em desenvolvimento (conforme classificação dos países ricos.
Diante desses fatos, quais deveriam ser as prioridades dos nossos governos? Qual deveriam ser as discussões e temas fundamentais para o debate público? Como deveríamos reorganizar o setor produtivo? Como garantir que direitos sejam efetivados em uma nova ordem mundial sustentável? Onde estão colocando o dinheiro público que todos contribuímos?
Imagino que exista um terceira força, pouco computada, que é a do cidadão e da cidadã, habitantes deste Planeta, destes países e povos. Essa luta merece uma mobilização massiva. Ela tem implicações em nossos vidas, essa mobilização exige uma crença absoluta em valores solidários e pacíficos de convivência. Lutar com firmeza por uma nova ordem mundial, porém,”sem perder a ternura’.
Iara Pietricovsky – Colegiado de Gestão do INESC.




