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Arquivo da Categoria ‘mulheres’

A nostalgia dos velhos tempos

10, novembro, 2009

Com a palavra e a pena, contra a intolerância talibã, o nosso querido Claudius, no blog que mantém no portal do Sidney Rezende.

A UNI OBAN nos mostra seu profundo e ridículo preconceito, expressão da mentalidade tacanha de uma universidade (!) que, em outros tempos, teria queimado a feiticeira de minissaia. A fogueira foi armada, a Ku Klux Klan estava a postos e a imolação aconteceu - moralmente falando. O recuo do reitor, readmitindo a aluna e anulando a decisão do Conselho, que havia justificado a expulsão em anúncios pagos nos jornais do último Domingo, demonstra seu receio de que a investigação do Ministério da Educação descubra coisas ainda mais escabrosas nos porões daquele estabelecimento comercial.

Atila Roque cultura e política, fundamentalismo, mulheres, violência

Mulheres no poder

8, abril, 2009

Eliana Magalhães Graça*

Uma notícia boa para melhorar a disputa pelo poder político das mulheres no Legislativo brasileiro. Está marcada para hoje às 14:30 horas a instalação da Comissão Especial que vai examinar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 590/06, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB/SP), que trata da  representação proporcional dos sexos nas mesas diretoras da Câmara e do Senado e em todas as Comissões permanentes e temporárias.

Apesar de representarem mais da metade do universo de eleitores do Brasil, as mulheres ocupam somente 9,4% das 584 cadeiras das duas Casas Legislativas. Estamos em penúltimo lugar na composição dos Parlamentos da América Latina, ficando à frente somente da Colômbia. Além disso,  dificilmente as parlamentares conseguem a aprovação e indicação de seus partidos para exercerem cargos de decisão dentro da estrutura do Parlamento Nacional. Quando conseguem, são destinadas a elas Comissões com pouco poder político, geralmente ligado às chamadas questões sociais. Se aprovada, essa PEC poderá alterar substancialmente a forma de composição e de disputa de poder interno no Legislativo.

A conquista desse espaço político traz um desafio para as mulheres no sentido de exercer de forma mais horizontal e menos autoritária o poder. Não basta ter cotas de presença, que já é um grande avanço, mas temos que demonstrar a diferença na qualidade da presença: não reprodução dos modelos masculinos de fazer política.

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* Assessora do Inesc

Atila Roque mulheres, parlamento

A Igreja Talibã mostra a sua cara

8, março, 2009

A combinação da ausência de compaixão com o fundamentalismo religioso produziu, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, uma das mais grotescas manifestações a respeito da tragédia que se abateu sobre uma menina de 09 anos em Pernambuco, grávida após ser repetidas vezes estuprada pelo padrasto. A declaração do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho - justificando a espantosa excomunhão dos médicos, da mãe e de todos os envolvidos no mero cumprimento da lei e na preservação da vida da menina, mas não do padrasto - de que “o aborto é mais grave do que o estupro” superou as expectativas mesmo daqueles que já não se espantam com mais nada.  Declaração acompanhada de manifestações de apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos) e do Vaticano…

Não consigo experimentar outro sentimento a não ser nojo e desprezo por essa Igreja que nada tem a ver com as melhores tradições cristãs. A burrice, o poder e um pretenso monopólio sobre os dogmas da fé, ao longo da história, sempre produziram e continuam a produzir barbaridades. Custei a acreditar no veredicto do bispo que ocupa hoje um território que já foi de Dom Helder Câmara. As mulheres, as meninas, as jovens que sofrem cotidianamente com a violência  dos homens -  estupradas, espancadas, trancadas em casa, discriminadas no mercado de trabalho e, especialmente a vítima de 9 anos, mereciam no mínimo, a solidariedade da Igreja diante de tamanha tragédia. Mas se isso era pedir demais, o silêncio seria suficiente.

Disso tudo restou como uma luz no fim do túnel a coragem e a dignidade dos médicos e da justiça que rapidamente cumpriram a lei e protegeram quem deveria ser protegida.  Louve-se também a pronta reação do Presidente e do Ministro da Saúde, assim como as posições quase unânime dos comentaristas da grande imprensa em condenar o bispo inquisidor, pronto a  jogar na fogueira todos nós, inclusive os que, como eu, não dou a mínima para o que a Igreja Católica pensa ou deixa de pensar no campo religioso. Mas que tenho tudo a ver quando se metem nos assuntos públicos.

Viva as mulheres e os seus direitos nesse 08 de março marcado por tanta dor, tristeza e intolerância.

Atila Roque

(Este post foi publicado simultaneamente no Blog do Inesc e no Opinativas - como expressão nada mais nada menos da minha própria opinião)

Atila Roque aborto, fundamentalismo, mulheres