Neide Castanha, inspiradora da luta social
Cheguei de férias e fui surpreendida com a morte de um amigo, no dia seguinte de um primo
e no outro da Neide.
Velei dois na mesma capela. Capela 10 do Campo da Esperança… um atrás do outro.
Fiquei angustiada…
No velório da Neide nada falei.
Depois passei todos os dias até hoje pensando no papel da Neide na minha formação e atuação.
A minha militância se confunde com a nossa amizade…
Desde sempre.
É verdade que a Neide não era consenso…
Tinha seus métodos próprios.
Muitas vezes discordamos.
Mas é verdade inquestionável que ela atuou com uma convicção rara, com sensibilidade e criatividade para fazer do Brasil um lugar melhor. E fez.
O que importa hoje é que ela deixa um precioso legado.
Ajudou a pautar a Exploração Sexual no movimento de criança e nos governos.
Convocou a garotada para se envolver na luta.
Com outros/as formou uma geração de militantes, especialmente militantes do poder público.
A sociedade civil já havia avançado bastante, graças à luta histórica do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua que, em permanente ebulição, colocou o bloco na rua gritando bem alto que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos.
Muita briga, conquistas ponto a ponto mudando o panorama deste país em processo de abertura política.
Foi um momento bonito em que nossas convicções se fortaleciam pelo movimento provocado por nós mesmos/as. Contagiamos muita gente com o desejo de mudar a ordem das coisas que pareciam ser imutáveis.
No DF fizemos o Programa “Brasília Diz não à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”
momento inédito em que juntamos todas as secretarias de governo e sociedade civil para pensar, elaborar e executar ações de proteção e responsabilização.
Estudamos muito, arriscamos e fizemos.
Nesta ocasião introduzimos o debate sobre o ECA nas escolas e conseguimos atingir 100% das 600 unidades de ensino do DF. Formamos diretores, publicamos três versões do “Direito é Nosso” uma atividade para estimular professores, alunos e comunidade a estudar o ECA.
Ficamos arrasadas e sem chão quando o Governo Popular e Democrático perdeu as eleições e tivemos que literalmente ver a Campanha escorrer pelo ralo, por motivos mesquinhos de um novo governo insensível à causa.
O que fica é um sentimento de gratidão e afeto.
As imagens vêm e vão à minha cabeça.
Muitas viagens fizemos juntas, dividimos quarto, conversávamos sobre os nossos filhos.
Lembro da Neide com um discurso interminável, com sorriso, sensibilidade e diplomacia (como disse o Vicente Faleiros).
Lembro, sobretudo, do afeto que tinha pelos amigos, quando os reunia em sua casa, ou na chácara.
Afeto pelo meu pai que com ela também militou pela cultura no Distrito Federal.
Eles eram amigos. Agora devem estar juntos numa articulação maior…
Saudade!
Pra finalizar…
Desejo ao Uirá e ao Raoni serenidade para lidar com este momento de profunda e infinita dor.
Desejo ainda que sigamos mais fortes no desafio infindável de enfrentar a violência e disseminar novas realidades onde os direitos não sejam apenas um texto bonito, mas experiência de vida de todas as crianças e adolescentes deste país e do mundo.
Com saudade, Márcia Acioli


Os debates no Senado Federal para a aprovação da Venezuela como membro pleno do MERCOSUL e, conseqüentemente, do Parlamento do MERCOSUL, foram risíveis. Essa situação político-vulgar começou em outubro na Comissão de Relações Exteriores do Senado e perdurou até os últimos dias de trabalho no Plenário do Senado.
“O tempo está passando. Agora não é hora de gesticular ou de fazer críticas, cada país deve cumprir a sua parte para se alcançar um acordo em Copenhague”, declarou durante entrevista à imprensa em Nova York.
Os líderes do mundo em desenvolvimento temem que o avanço da negociação, da forma como foi conduzida nas últimas 24 horas, deixe em segundo plano o debate sobre metas mais ousadas para a Europa, os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá. “Por enquanto, nada sobre isso [metas mais ousadas para os países ricos] foi tratado”, admitiu à Agência Brasil um dos principais negociadores do G77 (grupo de países pobres e em desenvolvimento), pedindo anonimato.
“Podem haver contribuições voluntárias de quem acha que pode contribuir para este fundo. É como um objetivo. A gente não tem objetivo obrigatório. Quem quiser contribuir, pode”, afirmou.
Anteriormente, os países africanos, apoiados pelos outros países em desenvolvimento, suspenderam a participação nesta segunda-feira em vários grupos de negociação.
Continuam os confrontos entre policiais e ativistas no sexto dia (13/12) da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15). A polícia de Copenhague anunciou ter detido 900 manifestantes no sábado (12/12), durante a grande passeata que partiu do centro da capital dinamarquesa e percorreu seis quilômetros até o centro de convenções onde acontece a reunião da conferência. Porém, no início da manhã de domingo, os polícias já haviam liberado os detidos.
Seguem as negociações para a reformulação de um novo tratado para mitigar as mudanças climáticas, em Copenhague, Dinamarca. Hoje a primeira boa notícia foi que, depois de uma longa reunião, o presidente francês Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciaram ajuda financeira aos países pobres de US$ 2,4 bilhões. Os dois governantes comunicaram também que a Europa vai se comprometer na redução de 30% das emissões de gás carbônico (CO2).
Quanto aos Estados Unidos, maior emissores histórico dos gases de efeito estufa e que não subscreveu Quioto, a proposta indica a elaboração de um novo acordo para que os norte-americanos também tenham metas para combater o aquecimento global.