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O que está acontecendo com este país?

10, dezembro, 2009

Meu relato da manifestão de hoje: o que está acontecendo com este país?
Date: Wednesday, December 9, 2009, 6:53 PM

Olá a todos!

Alguns me conhecem pessoalmente, outros apenas por trocas de e-mails. Independentemente, conhecem o suficiente para saberem das minhas atitudes diárias em prol da democracia no país. Saberão, então, que o relato que farei manifestacao-dfagora é para comprovar que não eram baderneiros que estavam na manifestação, como tristemente, vejo a mídia relatar. Amigos jornalistas: peçam a seus colegas de profissão para narrarem os fatos de forma certa!

Eu e uma colega da UNB seguimos às 10h para a manifestão contra a corrupção em frente ao Buriti. Vale sublinhar que foi uma manifestação organizada por todos e para todos: partidos, sindicatos, estudantes e cidadãos. Para todos que não toleram corrupção, que não toleram “quem rouba, mas faz”, quem sabe que política é a discussão e a ação ao que é relacionado à sociedade e não ao interesse próprio.

Até às 11h30 estávamos todos na Praça do Buriti, ouvindo discursos. Depois, com o objetivo de mostrar mesmo à população que é necessário se manifestar de alguma forma contra a corrupção, paramos o trânsito no sentido Buriti-JK. Nesse momento, cartazes eram levantados, apitos eram ouvidos, coros eram feitos. Ou seja, o que se entende por uma manifestação política. A polícia, que cercava todo o Buriti, começou a redirecionar o trânsito. Até então, tudo tranquilo: cidadãos se manifestando e o trânsito sendo reorganizado. Vale mencionar, que os carros passavam buzinando e se manifestando contra a corrupção também.

Pouquíssimo tempo depois, me deu a impressão que a manifestão política foi confundida com bandidismo, pois logo a Cavalaria da polícia se posicionou em torno da gente. Pergunta: pra quê isso contra uma manifestão política? Será que nosso Governador corrupto deu ordem para dispersar a manifestão contra ele? O que fizemos? Apenas sentamos no chão e continuamos com nossos coros e cartazes.

Seguimos para o outro lado, sentido TJDFT-Parque. O que fizemos ao parar ao trânsito: coros, cartazes, apitasso. E os carros parados? Começaram a buzinar em protesto também. Logo a polícia redirecionaou o trânsito e os carros puderam seguir. Só que a Cavalaria seguiu para o outro lado também e começou a amedrontar os manifestantes. Correram duas vezes com seus cavalos e seus cacetetes para quê? Dispersar uma manifestação política que àquela altura não atrapalhava nem mais o trânsito. Mas não bastava a Cavalaria. Precisava do BOPE. Alguns estudantes foram conversar com os policiais e estes solicitaram que deixassemos a pista em 10 minutos. Em que época se manifestar politicamente tem hora marcada pela Polícia? Decidimos sair e seguir em direção à Rodoviária pelo gramado. E o que fez o BOPE? Continuou cercando a todos, evitando que seguíssemos para a Rodoviária. Não houve opção a não ser irmos para a pista, novamente no sentido Buriti-JK. Não chegamos a parar os carros. Ficamos circulando entre estes, com os cartazes e os coros. Muitos carros diminuíram a velocidade, buzinaram, pegaram adesivos, etc.

Foi nesse momento que BOPE e a Cavalaria pararam o trânsito e, acho eu, acreditando estarem lidando com bandidos, começaram a vir para cima dos manifestantes com bombas e todo o arsenal. Um manifestante foi pego, machucado, levado para o gramado. Alguns cinegrafistas da imprensa estavam bem próximos filmando toda esta cena e os policiais do BOPE começaram a bater neles e lançar bombas para que eles não conseguissem mais filmar. Eu estava atônita: o Estado, com o seu uso legítimo da força, impedindo a impressa de narrar os fatos ao resto da sociedade! Que democracia é esta?

A relação entre a quantidade de policiais e a quantidade de manifestantes era tão desproporcional que eu me indagava o tempo todo: que instituições democráticas são essas que se utilizam da força em uma manifestação política?!?! Por que não optaram em redirecionar o trânsito e assegurar a manifestação? Por quê inibir a manifestação?

Meus queridos, não achem que apenas discutindo no elevador, no cafezinho, ao telefone, a corrupção irá acabar. Percebemos que o Arruda está se utilizando de toda a máquina pública, mesmo após os escândalos, a seu favor. Ontem, muitas Administrações Regionais bancaram a ida de apoiadores à CLDF. Hoje, todo o aparato policial contra um grupo de cidadãos. Ao mesmo tempo, os parlamentares corruptos abafando os pedidos de impeachment. O DEM, prefere aguardar. E vocês, vão aguardar o Natal para terem o que conversar na Ceia: “poxa! Você viu? E o Arruda, hein? Nada aconteceu de novo! Esse país! Não tem jeito mesmo!” Não se esqueçam que um país é feito de pessoas, é construído na base das atitudes individuais e coletivas. Não aguardem apenas o momento das eleições para agirem politicamente. A política é muito mais que isso: é o exercício diário em relação à tudo que é comum à sociedade!

Por isso, peço, mais uma vez. Na verdade, imploro: se manifestem! Coloquem um adesivo no carro, uma blusa, uma faixa na janela, saiam de branco amanhã, acompanhem não apenas pela mídia o que está acontecendo. Nenhuma dessas atitudes nos tirará da rotina e nem demandará tempo. Contudo, demonstrará que não somos um povo apático politicamente.

Grande abraço,

Jaciane Milanezi.

Sem categoria, violência

A nostalgia dos velhos tempos

10, novembro, 2009

Com a palavra e a pena, contra a intolerância talibã, o nosso querido Claudius, no blog que mantém no portal do Sidney Rezende.

A UNI OBAN nos mostra seu profundo e ridículo preconceito, expressão da mentalidade tacanha de uma universidade (!) que, em outros tempos, teria queimado a feiticeira de minissaia. A fogueira foi armada, a Ku Klux Klan estava a postos e a imolação aconteceu – moralmente falando. O recuo do reitor, readmitindo a aluna e anulando a decisão do Conselho, que havia justificado a expulsão em anúncios pagos nos jornais do último Domingo, demonstra seu receio de que a investigação do Ministério da Educação descubra coisas ainda mais escabrosas nos porões daquele estabelecimento comercial.

cultura e política, fundamentalismo, mulheres, violência

Segurança pública como desafio democrático

28, agosto, 2009

Atila Roque*

É com grande expectativa que acompanhamos os trabalhos da I Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg, 27-31/08), aberta oficialmente ontem (27/08) pelo Presidente Lula (veja vídeo na TV Inesc), diante de um plenário com cerca de 3 mil participantes composto de organizações sociais, militantes de direitos humanos, pesquisadores e profissionais da segurança pública. Embora tenha sido marcada por dificuldades decorrentes da resistência em incluir temas importantes para as organizações de direitos humanos e outras que há anos lutam contra os desmandos e violações cometidas pelas polícias, a Conseg deve ser saudada como momento simbólico no reconhecimento da segurança pública como uma questão central da democracia.

O campo da segurança pública, em grande medida, atravessou o longo período de democratização praticamente incólume a qualquer questionamento de suas bases autoritárias e patrimonialistas. Nem mesmo a “Constituição Cidadã”, promulgada em 1988, foi capaz de romper a impermeabilidade do sistema de segurança pública vigente no Brasil de modo a adequá-lo aos novos tempos. Permaneceu a perversa alquimia institucional que combina elementos do “aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei” da velhusca república dos “coronéis”, com a doutrina de “Segurança Nacional” da ditadura militar.

O resultado foi um monstrengo institucional diligente na “criminalização” da população pobre e leniente com o crime organizado. A ausência de mecanismos de controle externo, treinamento e formação profissional adequados, somados a remunerações quase sempre infames, tornaram a força policial vítima e algoz de um modelo falido de segurança pública. Algumas das tentativas meritórias de reforma do sistema e de novas práticas de policiamento, embora exemplares, são insuficientes para deslanchar um processo realmente profundo de reforma do sistema de segurança.

Continuamos carentes de um esforço concertado na sociedade e no Estado que imprima ao tema da segurança pública a urgência que se deve atribuir às situações de calamidade pública ou emergência social, claramente expressa nos números e indicadores existentes no Brasil, especialmente aqueles relativos à violência letal contra jovens pobres e negros. É fundamental que segurança pública passe a ser reconhecida com parte do rol de direitos fundamentais a que todas as pessoas devem desfrutar. Para isso precisamos de um compromisso mais amplo das forças sociais e políticas que, esperamos, a Conseg possa começar a desenhar.

Estejamos, portanto, atentos aos próximos dias!

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* Membro do Colegiado de Gestão do Inesc

política, segurança pública, violência

Jovens negros morrem mais

21, julho, 2009

post-da-cleoCleomar Manhas

Assessora para Políticas dos Direitos da Criança e do Adolescente

Foi divulgada pela imprensa uma notícia bastante assustadora, mas que infelizmente já não era totalmente desconhecida, ou seja, os jovens estão entre as maiores vítimas da violência, especialmente, homicídios provocados por arma de fogo. A manchete é a seguinte: 33 mil jovens deverão ser assassinados no Brasil entre 2006 e 2012, diz UNICEF.

A notícia divulgada hoje, 21 de julho, tem como base a pesquisa realizada pelo UNICEF, pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e pela ONG Observatório das favelas.

Outro aspecto da notícia, que também não é novidade, é o fato de negros, do sexo masculino serem as maiores vítimas de homicídios. O índice é assustador, pois, de acordo com o divulgado, o número de jovens que serão assassinados no Brasil antes de completarem 19 anos ultrapassa dois para cada grupo de 1000, enquanto que lugares menos violentos, de acordo com especialistas ouvidos na matéria, esse índice é próximo de zero,

O quadro é assustador e denota a falta de políticas públicas voltadas para os/as jovens, a necessidade imediata de se pensar a possibilidade de nova discussão acerca do desarmamento, visto que a maior parte dos homicídios é causada por armas de fogo, além demonstrar a maior vulnerabilidade da população negra.

O governo brasileiro, em conjunto com a sociedade civil, deve pensar em alternativas que combatam a violência e contribuam para a melhoria da qualidade de vida. No entanto, na contramão dessa necessidade premente, encontram-se em tramitação no Congresso Nacional vários projetos que pretendem rebaixar a idade penal, para que esses mesmos jovens sejam punidos como “gente grande”, como se fossem os principais produtores de violência e não as principais vítimas, como deixa claro a matéria.

 

infância e juventude, segurança pública, Sem categoria, violência